Igreja Episcopal Anglicana do "Brazil" - Mostra a Tua Cara....!
| Rev. Miguel Uchoa - Arcediago Sul da DAR e Reitor da Paróquia Anglicana do Espírito Santo |
| IGREJA EPISCOPAL ANGLICANA DO “BRAZIL” Foi essa a maneira que Cazuza encontrou para denunciar a dupla roupagem que vestia, ou veste o nosso país. O entreguismo.. a dependência... este foi praticamente um hino de minha juventude mais tardia... Hoje sou Ministro do Evangelho, ligado a Diocese Anglicana do Recife, fundada pela IEAB e ligada a Comunhão das Igrejas Anglicanas em todo mundo. Gosto muito desta Igreja. Em minha vida, ministério e serviço já deixei bem claro que sou um anglicano por convicção, por conhecer suas estruturas, seu ethos, sua flexibilidade, sua visão do Ser Humano como um inteiro, uma visão integral. Sou um anglicano brasileiro privilegiado de conhecer “in loco” realidades anglicanas em diversas partes deste globo. Ninguém apenas me disse que ser anglicano era isso ou aquilo e, em seguida, saí repetindo por aí que ser um verdadeiro anglicano é isso... na realidade esta última frase me dá arrepios. Me “orgulho” de fazer parte de uma comunhão que traçou as 5 avenidas da missão de uma maneira tão bíblica, tão atual e tão comprometida com a verdade de Deus. Mas isso, ou essas coisas apenas não são suficientes para manter um corpo unido. O fruto e os dons do Espírito é o que, biblicamente, mantém a igreja unida. Isso vai além, muito além das denominações e organizações. A ausência destes dons e frutos na liderança da IEAB tem mostrado que isso é fatal. Lamentavelmente, nos dias atuais, estamos vivendo uma crise sem precedentes na nossa Província e isso está nos levando para longe dela a cada dia que se passa. A IEAB vive sem rumos, sem direção, tem um comportamento tribal de auto sustentação e sobrevivência. Toda Província sabe que o resultado da avaliação para o planejamento estratégico da IEAB há pouco tempo atrás foi mais ou menos assim: “esta é uma organização que parou, que as pessoas que estão nela gostam muito dela, e que estas mesmas pessoas não estão preocupadas em vê-la crescer e avançar, estão, sim, preocupadas em sua manutenção”. A atual crise entre a DAR e a IEAB me impressiona em seus detalhes. Pretendo fazer alguns comentários aqui e não quero ser juiz. Mas os fatos me incomodam e, por isso, não posso me calar. Um dia a história nos cobrará tudo isso.
Não posso me esquecer de como, alguns deles, aguerridamente faziam comentários e combatiam aqueles “....lá do sul, que não sabem o que é igreja...”... Pois é, mas a independência parece ter sido uma troca de aliados, de lealdades e de apoios... Era isso que ouvíamos aqui na DAR, a cada retorno da Meca episcopaliana brasileira, na região dos pampas... quem lembra? Quem lembra? Eu lembro e meus ouvidos não negam, como defenderam o Diocesano e sua bravura naquela viagem a Ohio. Eu estava lá, eu estava no aeroporto, eu estava no avião.. eu fui com o Diocesano e vi com estes olhos, de onde vinham os apoios àquela viagem. Os clérigos insatisfeitos e alguns outros ministros, auto denominados de “verdadeiros anglicanos” fazem parte de um grupo onde existe gente levada, gente com projetos pessoais, gente sem projeto nenhum, gente usada, gente que agride pessoalmente, gente que transpira vingança, que pede cabeça... gente até sincera, sem noção do que faz, gente que se diz evangélica, mas que não assume o que o evangelicalismo apresenta e crê...Gente de todo tipo... eclesiastas, religiosos? Que a história os julgue.. mas uma coisa sei, tem muita gente longe das propostas anglicanas comentadas no início deste texto e nítidas em suas 5 avenidas da missão integral.
O Bispo Orlando, um dia, encerrará seu ministério com esta marca na sua consciência de não ter dado a atenção que a DAR precisava, de ter ouvido uma minoria, e ter se calado para a maioria, de ter cedido aos pedidos deste pequeno grupo, de ter se recusado a falar com o grupo maior, com os representantes das principais igrejas diocesanas... Pessoalmente enviei várias cartas ao Primaz (e-mail), apelando para que ele viesse ao Recife e nos ouvisse. Sei de outros clérigos que fizeram o mesmo, mas nenhuma resposta, uma linha sequer foi respondida. Parece que, por detrás de tudo, havia a intenção de deixar a crise acontecer. Afinal de contas, como declarou o Bispo de uma Diocese lá do Sul em correspondência oficial: “devemos corrigir este erro histórico...” A cúpula da IEAB sabe, e eu, membro por um mandato do Conselho Executivo do Sínodo sei, que erros históricos, jurídicos, legais, canônicos, morais, apropriações indébitas, já foram esquecidos e perdoados na história recente da IEAB e que envolvia gente púrpura...
A IEAB Não é o caso da IEAB. O estamento do poder desta igreja dificilmente terá alguém que se oponha a união homossexual e a ordenação de clérigos gays ou lésbicas. Em Sínodo, da década de 90, os bispos disseram isso, mesmo se escondendo nas palavras. Foram feitas defesas acirradas desta posição, participei de debates naquele Sínodo... OS BISPOS A ainda recente consulta sobre sexualidade mostrou qual é a nossa realidade nesta área. Bispos fazendo apologias, clérigos declarando suas paixões homossexuais, teólogos falando de tolerância e grunhindo os dentes com os evangélicos... esta é a realidade da IEAB no tocante a sexualidade humana laizer fair ... Não aprovamos nada oficialmente, mas na prática se sabe quem vive com quem e outras coisas mais... soube até de um clérigo brasileiro que colocou na internet a sua busca por um parceiro.... é assim que a IEAB vive. Nestes dias, na Diocese Anglicana de São Paulo, o Reitor de uma Paróquia se assumiu publicamente homossexual e a Junta Paroquial o demite. O lobby pró-gay está atuante.. Agora é a vez do Diocesano de lá mostrar a sua cara, a verdadeira, a que assumiu publicamente... Não seria isso pusilanimidade, ideologia de gabinete, ausência de sinceridade para com os membros leigos das dioceses? Porque nossos bispos ainda continuam a dizer que este não é um problema nosso? Os bispos da IEAB precisam ser sinceros, corajosos como seus colegas Americanos do Norte, e levantar bem alto a bandeira que crêem. Não devem se esconder atrás das benesses da Comunhão Anglicana... O liberalismo tupiniquim faz barulho, levanta as lebres, mas se recente de coragem para afirmar aquilo que crê, essa é a verdade. A deposição do Bispo Robinson, que, como Diocese já rejeitamos, é uma maneira covarde de tentar levar o mérito da questão para o lado em que ele nunca se encontrou. Desafio o Bispo Primaz ou qualquer outro Bispo, clérigo ou líder desta denominação a negar as afirmações que eu fiz abertamente em Londres no mês de Maio passado. Digam ao Arcebispo de Cantuária e a seus representantes que aquelas minhas afirmações são falsas e que o que se crê na IEAB é outra coisa. É um engano entender este momento como um momento do Bispo Robinson Cavalcanti. Este é um momento que eu, e todos nós, sempre achamos, um dia chegaria. O momento da verdade. Alguém se espantou com nossas posições? Não. Sempre dissemos e escrevemos o que hoje continuamos dizendo. A DAR, seus pastores e pastoras, povo e liderança cansou de ser condescendente com as atitudes da IEAB. Hoje continuamos sendo a DAR, tendo um Bispo Diocesano, Robinson Cavalcanti, única autoridade constituída canonicamente nesta Diocese. Continuamos evangélicos pelo que vivemos e não pelo que dizemos. Com o Bispo Robinson, sem o Bispo Robinson, nós, 40 clérigos e alguns milhares de lideres e congregados somos a Diocese Anglicana do Recife, pensando, agindo e vivendo assim, como sempre foi... Somos 42 comunidades. Somos, então, a DAR e juntos rumaremos para onde a providência nos levar. IEAB, mostra a tua cara! Quem viver, verá!
Rev. Miguel Uchôa+ |
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