| Assim, pois, não sois mais estrangeiros, nem forasteiros, antes sois concidadãos dos santos e membros da família de Deus. Ef 2:19 Em minha experiência como pastor, tenho vivido diferentes circunstâncias, diferentes momentos e tenho diferentes expectativas para um diferente futuro que nos aguarda. Porém, nada em meus poucos 12 anos de ministério ordenado me faz sentir mais a força da fé cristã e a sua necessidade do que a experiência de uma comunidade cristã. Os teólogos da retórica que me perdoem, mas teologar sob o teórico deixará sempre a desejar. A teologia da práxis, ou da prática, superará sempre as utópicas considerações teóricas. Hoje, a comunidade da qual sou reitor celebra 9 anos de existência. Me ocorre que num espaço de tempo tão curto, tantas coisas, fatos, realidades, experiências foram e têm sido vividas com tanta vibração. Isso me faz lembrar que eu mesmo não poderia teologar sem pensar nas consequências desta teologia na vida daquelas pessoas que compõem a comunidade cristã. Celebramos 9 anos de vida comunitária, família de Deus na Paróquia Anglicana do Espírito Santo. A Babilônia, nome do antigo night club que existia naquele lugar, não somente caiu, mas em sua queda se levantou uma igreja vibrante, ativa, desejosa de ver este mundo trasnformado. Uma igreja que evangeliza como estilo de vida, que contagia o evangelho com naturalidade. 9 anos passados e um registro de muitas experiências vividas, muitas vidas transformadas, muitas famílias reconstruídas, muitas orações respondidas, muitas lutas e dificuldades encaradas de frente. Algumas vencidas, outras em andamento, mas todas vividas na certeza de que Deus esteve e está por detrás de todas elas. Como Igreja Anglicana estamos alinhados com a visão ortodoxa da fé cristã, legado apostólico que não pode ser maculado, ensino santo e perfeito para todo e qualquer ser humano. Sofremos hoje o impacto do liberalismo moral e teológico, do relativismo que rejeitamos como toda a Igreja Anglicana rejeitou, ao suspender a Igreja Episcopal dos Estados Unidos e Anglicana do Canadá pelas posições associadas ao revisionismo bíblico. 9 anos atrás estávamos, eu e cerca de 25 pessoas, colunas daquela comunidade tomando posse da Babilônia na certeza de que alí se ergueria uma Jerusalém de Deus. 9 anos se passaram e hoje somos uma comunidade cristã que envolve cerca de 1.000 congregados, 4 igrejas plantadas, perto de 40 diferentes ministérios que atuam no que entendemos serem os 5 propósitos de Deus, a saber: Adoração, Comunhão, Discipulado, Serviço e Missão. Pela graça do bom Deus existe ali uma ação de transformação social que atua dentro de uma das comunidades mais carentes do Grande Recife (Carolinas, em Jaboatão dos Guararapes) e que está em franca ampliação, para atender suas mais profundas necessidades. A teologia não pode esquecer nunca que ela não é um fim em si mesmo. A teologia mira no mundo sem Deus, acerta no coração esvaziado do ser humano moderno e procura trazê-lo para a realidade de uma comunidade, onde sua vida pode ser reestruturada, suas feridas saradas, seu potencial dirigido a ser um agente de transformação na sociedade. Enquanto a teologia mirar em si mesma, encontrará o vazio e a alienação de seu fim maior e será inócua em seu propósito. Como Reitor da Paróquia Anglicana do Espírito Santo, sinto-me privilegiado, servindo em meio a um povo que ama a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. É um privilégio termos sido escolhidos por Deus para “ocupar” a Babilônia e libertar a Jerusalém de Deus. Rev. Miguel Uchoa Reitor da Paróquia Anglicana do Espírito Santo e Arcediago da Região Sul da Diocese Anglicana do Recife Artigo Publicado na Edição do Jornal do Commercio do dia 21.08.2005 |