Anglicanismo: Morte e Vida Nova
| Artigo do Rev. Marcus O. Throup |
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Recentemente, Peter Akinola , Arcebispo da Nigéria, declarou que permaneceria fiel à Sé de Cantuária à medida que Cantuária permaneça fiel ao Anglicanismo histórico (bíblico). Este corajoso pronunciamento do Primaz da maior Província Anglicana do mundo (em termos de membresia ativa) indica, entre outras coisas, aquilo que todo mundo já sabe: a Comunhão Anglicana na sua conjuntura atual se encontra in extremis . Respostas diferentes são dadas por pessoas diferentes. Algumas, apoiando-se na sabedoria questionável de uma suspeitamente moderna dialética Hegeliana, continuam a insistir que a crise eclesiástica sobre a homossexualidade é inteiramente necessária. Aqui há uma tendência infeliz e ingênua a atribuir o caos à ação do Espírito Santo na Igreja. Esta posição, além de carecer de realismo, no que diz respeito à própria natureza e mecanismo do pecado, ignora o verdadeiro papel unificador do Espírito Santo na Igreja, como atestado através de toda a Escritura Sagrada. Ainda pior, nesta visão, a culpa pela desordem, pela desunião e pela danificação da missão da Igreja é implicitamente transferida (via projeção psicológica?) para a própria esfera divina! Para nós, isto é mais do que inaceitável, é intragável. O motivo real por trás da lamentável crise dentro do Anglicanismo é, na verdade, muito mais simples: nós temos permitido o pecado e o Maligno empunharem a nossa denominação. De certa maneira, todos nós somos responsáveis por isso. Os “liberais” , ou melhor, revisionistas estão obviamente errados, pois estes rejeitam o claro ensino da Palavra de Deus concernente à homossexualidade, o qual é reconhecido na oficial religião Anglicana tanto tradicional, como contemporânea. Contudo, nós que pertencemos à maioria ortodoxa somos também culpados, pois, com uma atitude tragicamente laissez-faire temos deixado a situação chegar a ponto de descontrole. Nós temos cometido o pecado da omissão, e, visto que este pecado é explicitamente mencionado na antiga liturgia confessional da Igreja da Inglaterra (traduzida para dezenas de línguas) não temos nenhuma desculpa. Nós realmente deveríamos ter sido mais cientes, e feito melhor... Essa semana, consoante com várias outras infelizes ocorrências, ações hostis tomadas por revisionistas brasileiros contra Anglicanos evangélicos mais uma vez passou por cima dos processos institucionais internacionais iniciados para proteger Anglicanos fiéis à Palavra de Deus. Desta vez, 31 colegas evangélicos e eu, fomos excomungados da Província brasileira (IEAB) num ato não canônico e extremamente arbitrário, demonstrando novamente, o aparente desdém com que a IEAB tem mostrado ao Painel de Referência do Arcebispo de Cantuária – o qual ainda tem de deliberar sobre o caso do Bispo Robinson Cavalcanti e da Diocese Anglicana do Recife (DAR). Enquanto há aqueles que possam sugerir que a nossa excomungação é efetivamente a amputação de um podre e doente membro do corpo (a doença sendo fidelidade às Sagradas Escrituras e ao Anglicanismo histórico), não somos nós um estado espiritual de atrofia. Pelo contrário, enquanto em outras regiões do Brasil a Igreja se encontra em sério declínio (estatisticamente falando), o Anglicanismo evangélico do Nordeste continua a experimentar crescimento significante. Como Diocese, nesse momento, estamos machucados. Todavia, como os irmãos pentecostais gostam de dizer: “Jesus é o Médico dos médicos” , então, confiando no Seu poder salvífico, estamos olhando para Cristo nosso Senhor para consolação. Como Anglicanos ortodoxos e evangélicos, eu diria que nós temos razão para permanecer esperançosos, apesar das circunstâncias adversas. Parece que o Anglicanismo, na sua conjuntura atual, está lutando para respirar, mas aqui no Sul Global há rumores de novos começos, de nova vida, e de nova comunhão... No entanto, em espírito de oração, estamos confiando no Senhor, que a santa ordem logo prevalecerá sobre a entropia diabólica; convictos que jamais arriscaremos a nossa Igreja por tal crassa procrastinação, “por negligência, por fraqueza, e por nossa própria e deliberada culpa” . O Rev. Marcus O. Throup é clérigo da Diocese Anglicana do Recife; coadjutor da Paróquia Anglicana do Mediador, em Tegipió – Recife – PE; Reitor do Seminário Anglicano Teológico – SAT-PE. |
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