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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

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Home Biblioteca Artigos de Clérigos Sem Simulacros, Nem Simulações, Apenas a Verdade!

Sem Simulacros, Nem Simulações, Apenas a Verdade!

Artigo do Rev. Fred Souto
 
Nesta semana todos tivemos conhecimento de um texto publicado pelo Rev. Jaci Maraschin, clérigo da DASP, intitulado “Simulacros e Simulação em Recife”. No texto, o referido presbítero, professor e doutor, faz duras críticas a situação que vive a Diocese Anglicana do Recife e o apoio da Comunhão Anglicana e nos acusa de sermos ingenuamente manipulados e, também, de ex-clérigos anglicanos.

O artigo do “professor/doutor/presbítero” Jaci Maraschin, inicialmente, coloca numa mesma tela a situação caótica da política brasileira, com os fatos que envolvem a Igreja Anglicana no Brasil. Uma pintura equivocada, haja vista, que não há como comparar os fatos e nem como tirar nenhum exemplo, nem mesmo como introdução para o seu artigo. Ou seja, uma “simulação” que não produziu nada de afirmativo, portanto, apenas um “simulacro” .

O “professor/doutor/presbítero” Jaci Maraschin afirma que somos ex-clérigos anglicanos, porém, como ele bem sabe, nenhum clérigo pode ser afastado de suas funções sem que tenha sido aberto um processo canônico contra ele e como se sabe, não houve nenhum. Se houve, não fui (e nem nenhum dos clérigos) chamado a me defender. Como não houve defesa, não existe a possibilidade de haver condenação, pois não há o contraditório da acusação, sem o qual não existe processo. Portanto, o que houve foi uma “simulação” de um processo canônico, que produziu um “simulacro” chamado ex-comunhão da IEAB, produzido por um Bispo Sufragâneo que “simula” ser Autoridade Eclesiástica da DAR.

Portanto, caro colega, pois sou tão presbítero quanto qualquer outro na Comunhão Anglicana, não existe ex-clérigos na DAR. O que existe são homens e mulheres chamados pelo Senhor Jesus Cristo para levar seu Evangelho (na íntegra) a todas as pessoas. Ou melhor, existem alguns ex-clérigos da DAR, que numa “simulação” de que estariam reafirmando sua comunhão com a IEAB em setembro de 2004, produziram um pequeno cisma, liderados por um Bispo Sufragâneo, na DAR, com o apoio “sem simulação e nem simulacros” da liderança da Província do Brasil.

Estes sim, ex-clérigos, pois, de próprio punho, escreveram cartas uniformes, como se fosse um ditado escolar, onde afirmavam seu afastamento da DAR e da comunhão com o Bispo Diocesano. Após a sua saída, passaram a promover toda espécie de difamação contra o Bispo e os clérigos da DAR. Produziram um “simulacro” e, mesmo assim, foram recebidos na Província como desgarrados oprimidos. Eram os sem-pastor, os sem-igreja, os sem-comunhão. Promoveram uma “simulação” que encantou os olhos e ouvidos daqueles que gostariam de ver o Bispo Robinson Cavalcanti e a DAR pelas costas.

Junto com os líderes da Província, ao arrepio dos Cânones e da Constituição, a “simulação” gerou um “ simulacro ” chamado: “Supervisão Episcopal”. Ato sem precedentes na história da Igreja, sem amparo canônico, nem constitucional. Para piorar mais a situação, o Primaz da Província do Brasil, também ao arrepio dos Cânones, pois nunca procurou, nem o Bispo, nem os clérigos e ou líderes da DAR para tentar qualquer acordo que pudesse por fim ao problema, muito pelo contrário (de novo), “simulando” uma autoridade que não lhe cabia, criou mais um “simulacro” , que foi a tentativa de impedir o XXIV Concílio da Diocese Anglicana do Recife, em dezembro de 2004, novamente ao arrepio da legislação da Igreja.

O Concílio foi realizado, pois não havia nenhuma possibilidade da “simulação” que o Primaz tentou fazer ter algum respaldo legal. Aliás, os Cânones pediam a este senhor que agisse pastoralmente em caso de desentendimento nas Dioceses, mas ele nunca o fez. A única vez que pode ser considerada uma tentativa, ele queria uma reunião com o Bispo Supervisor, o Bispo Sufragâneo e o clero da DAR, da qual ele não participaria. Ou seja, uma “simulação” de pastoral, onde o clero da DAR teria que reconhecer a figura do Bispo Supervisor como legítimo representante da Província, o que seria um “simulacro” da pior espécie.

Os ex-clérigos fizeram, junto com uma Comissão de Investigação, uma inquisição do Bispo Diocesano e o chamaram de Processo Canônico. Uma “simulação” ridícula e, principalmente, uma excrescência jurídica que só tem respaldo no Tribunal Eclesiástico da Província que “simula” julgar com isenção.

Em relação a Justiça Civil, o que o “professor/doutor/presbítero” Jaci Maraschin, junto com seus “colaboradores” provinciais, não diz é que, o que foi impedido foi a liminar e não o mérito da questão. Aliás, julgaram apenas o peticionário da ação e não o mérito da causa. Julgaram o peticionário de hoje, ao invés do mérito de ontem. Porém, ainda cabe o mérito, esperemos o final para poder se manifestar.

Quanto à questão homossexual, o “professor/doutor/presbítero” Jaci Maraschin afirma que o Bispo Diocesano foi tomado pela “ paranóica homofobia, vendo propaganda de homoerotismo em todos os atos da IEAB, mesmo sabendo que jamais encontrará nenhuma decisão oficial da Província brasileira em favor dos membros do clero ”. Outra “simulação” , pois a IEAB, menos corajosa que suas co-irmãs do EUA e Canadá, quer fazer valer pela práxis o que não o faz pelo estabelecimento da verdade que prega, que aceita a ordenação de homossexuais praticantes como membros do seu clero. Ou seja, o que vale é o que eu digo e não o que faço. Um “simulacro” para esconder a verdadeira face da IEAB. Basta ver os relatórios dos Simpósios sobre a Sexualidade, no Rio de Janeiro e a Consulta Teológica, em Curitiba, para saber o que ela pensa. Basta ler os artigos de alguns dos bispos na página da IEAB para saber como eles pensam, inclusive alguns do próprio “professor/doutor/presbítero” Jaci Maraschin.

Comparar a ação do Espírito Santo com o pensamento Pós-Moderno é querer “simular” uma saída para justificar o injustificável. O vento sopra onde quer, sim; mas, dirigido por Deus, e não pode ser comparado aos ventos doutrinários e filosóficos criados por homens que desejam satisfazer seus desejos e vontades e, para isso, “simulam” todo tipo de saída para seus desvios. Não produzimos doutrinas e nem “simulamos” filosofias e ou teologias. Vivemos e pregamos as Sagradas Escrituras, coisa que parece ser um “simulacro” para alguns pensadores Pós-Modernos.

Queremos afirmar, com todas as letras, que: as decisões da Diocese Anglicana do Recife são decisões coletivas e não apenas do Bispo Diocesano Revmo. Dom Robinson Cavalcanti, que não toma decisões sozinho. Nossas decisões são tomadas sempre em assembléia e nunca “simulamos” a verdade, pois ela sempre foi resposta de uma coletividade, que pensa, reflete e decide junto.

A Pós-Modernidade produziu a globalização. A globalização quebrou as fronteiras territoriais no Mercosul, na União Européia e, quem sabe um dia, nas Américas. Esta mesma globalização chegou à Igreja, quebra fronteiras territoriais e produz uma nova fronteira: a do alinhamento filosófico e teológico-doutrinário. Nos alinhamos aos Bispos: Revmo. Gregório Venables e Revmo. Peter Akinola; aos pensadores anglicanos: Rev. John Stott, ao Rev. J.I. Parker, e ao nosso Bispo Diocesano, Revmo. Dom Robinson Cavalcanti, que junto com tantos outros, lutam por estas “ crenças ”. O “professor/doutor/presbítero” Jaci Maraschin parece preferir outro tipo de alinhamento, onde as fronteiras territoriais são preservadas, onde a inclusividade ilimitada permitiria uma sucessão de atos autoritários, como os últimos atos provinciais no Brasil, ou de atos fora dos parâmetros doutrinários da Comunhão Anglicana, como é o caso do Bispo americano.

A Inclusividade na Comunhão Anglicana, passa pela crença nos Credos, pelos Sacramentos da Eucaristia e Batismo, pelo Episcopado Histórico e pelo entendimento de que a s Sagradas Escrituras do Antigo e do Novo Testamento contém todas as coisas necessárias para a salvação, e como sendo a regra e o padrão último de fé. A inclusividade não é ilimitada e, portanto, sinônimo de uma liberalidade filosófica e/ou teológica, ou de ventos de doutrinas que permeiam a cabeça dos pensadores Pós-Modernos. A nossa inclusividade estabelece princípios pelos quais somos partes integrantes de uma comunhão.

Portanto, caro “professor/doutor/presbítero” Jaci Maraschin, em relação à DAR, seu artigo produziu outro “simulacro” . Somos uma igreja que prega a essência do evangelho de Jesus Cristo, não apenas aquilo que nos interessa ou pensamos que acreditamos. Não somos clérigos manipulados por ventos de doutrinas, mas, sim, obreiros que manejam bem a Palavra da Verdade.

No momento em que termino de escrever este texto, estou chegando de um culto onde encerramos mais um Cursilho Masculino. O terceiro deste ano. Além de mais três femininos. Podemos presenciar a transformação na vida de 100 homens que entregaram suas vidas a Jesus Cristo. Vi famílias sendo restauradas pelo poder do amor de Deus na vida destes homens. Vi uma igreja que pulsava de alegria pela ação do Espírito Santo. Seria esta a Igreja, que em sua opinião, “simula” os fatos e promove “simulacros” ? Creio que esta é uma igreja que prega a Palavra do Senhor e por Ela transforma vidas, restaura famílias e engrandece o Reino do Senhor Jesus Cristo nesta terra.

Por isso, caro irmão, sua “simulação” em construir um pensamento sobre a relação da Comunhão Anglicana com a DAR e a IEAB perdeu-se num “simulacro” de idéias de uma Província que perdeu seu objetivo, sua visão e, principalmente, sua identidade como Igreja. Tornou-se mero repetidor das idéias liberais americanas. Tornou-se um fardo, um jugo pesado demais para carregar. Por isso, nos chegamos aos pés da cruz, deixamos nossos fardos antigos e pegamos os do Nosso Senhor Jesus Cristo, estes, sim, dignos de honra e justos de serem carregados.

O Rev. Fred Souto é Clérigo e Secretário Administrativo da Diocese Anglicana do Recife; e Ministro Encarregado da Missão Anglicana de Gravatá.

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