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ROWAN WILLIAMS

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Home Biblioteca Artigos de Clérigos A Importância da Educação Teológica no Ministério Pastoral

A Importância da Educação Teológica no Ministério Pastoral

Artigo do Rev. Maurício Amazonas
INTRODUÇÃO – Falar da importância da Teologia para o Ministério Pastoral é a mesma coisa que falar da importância da Medicina para o trabalho do médico ou médica. É o mesmo que falar da importância do Direito para o trabalho do advogado ou advogada, bem como do juiz, da juíza, do promotor e da promotora. Ninguém pensa em entregar seu filho ou sua filha aos cuidados médicos de quem não estudou a Medicina. Da mesma forma que não confiaria uma causa judicial a uma pessoa que não dominasse a ciência do Direito.

Contudo, infelizmente, há quem se entregue aos cuidados pastorais de alguém que não estudou a ciência teológica. Ainda pior: há quem entenda que a Teologia atrapalha a vida pastoral e estorva o crescimento da Igreja, impedindo a espiritualidade dos fiéis. A Teologia passa a ser condenada por algo que ela não fez e sua ausência se torna elogiada por quem se opõe a ela como inibidora da atuação do Espírito Santo na comunidade.

Vamos desfazer, na medida do possível, estes nós. Tentaremos construir, como fez Teseu, um novelo de lã que nos conduza para a saída deste labirinto. Veremos que a Teologia não é o Minotauro que devora os incautos perdidos no labirinto da existência, mas o novelo que auxilia no caminho de ida apontando já o caminho do retorno, da saída, da superação.

UMA PARÁBOLA – O padre jesuíta, João Batista Libânio, no seu pequeno e rico livro Como saborear a celebração eucarística (São Paulo: Paulus, 2005), conta uma parábola que eu gostaria de ampliar e ambientar em nossa realidade mais conhecida. Imaginemos que no centro da cidade do Recife, na Rua 7 de Setembro, cruzamento com a Conde da Boa Vista, em pleno meio dia e sol a pino, um cachorrinho apanhe um osso e corra, por entre as pessoas, para comer seu ‘lanche' debaixo de um tamborete, no Beco da Fome. Nesta mesma hora, um homem, trajando paletó e gravata, pára rapidamente num trailer , compra um cachorro-quente e sai correndo, por entre carros e ônibus, em direção a um dos muitos Bancos do local e se põe, numa fila, a comer o seu ‘almoço'. Qual a diferença entre os dois? Não pergunto sobre o cachorrinho e o cachorro-quente, mas entre o bípede e o quadrúpede? Diríamos que não há, além do paletó e gravata, nenhuma diferença. Ambos procuram saciar, instintivamente, uma necessidade fisiológica chamada fome.

O processo civilizatório nos ensinou que não é suficiente apenas saciar a fome. ‘ A gente não quer só comida. A gente quer bebida, diversão e arte '. Se não fosse assim, ainda estaríamos dormindo pendurado nas árvores e passando o dia nas cavernas, comendo paca, tatu e cutia, ainda crus, porque nem o fogo saberíamos dominar. Teríamos os cabelos crescidos e unhas enormes, pois seríamos homens e mulheres em estado de natureza bruta, literalmente.

Mas acontece que o ser humano não é apenas natureza. Ele se complementa pela cultura. É a cultura que nos ensina que, para podermos apreciar a comida, precisamos de mesas, cadeiras, talheres, pratos, baixelas, toalhas e guardanapos. Também descobrimos que não basta comer o prato principal. É preciso que haja aperitivos, entradas, sobremesas e licores.

Pode-se ainda enfeitar os pratos com cores e formas para realçar seus molhos e temperos. Mas tudo isso ficaria incompleto se não houvesse a presença da família ou dos amigos em torno dessa refeição. Comer não é apenas ingerir o alimento, mas é um ritual, uma liturgia.

Também descobrimos que é preciso educar o paladar. Aprende-se a comer, comendo. Aprecia-se outros sabores à medida que estamos dispostos a experimentá-los e prová-los. Podemos começar nossa aventura gastronômica apreciando o cuscuz com bode e café, passando pelo pão doce com caldo de cana e chegar até a apreciação de queijos e vinhos. Tudo isso é uma questão de depurar o paladar e buscar o refinamento e o bom gosto. Isso significa o esforço pessoal para esmerar-se, aperfeiçoar-se, refinar-se, educar-se, elevar-se.

COMIDA E TELOGIA – A essa altura, algumas pessoas devem estar se perguntando: ‘ O que a comida tem a ver com a Teologia? ' Eu responderia que tem tudo a ver. Vejamos.

O primeiro incidente com drásticas conseqüências teológicas foi provocado pelo fato de ter alguém comido do fruto de uma determinada árvore (Gn 2.16,17; 3.6,7);

O milagre inaugural do Reino de Deus aqui na terra ocorreu durante um banquete de casamento, em Caná da Galiléia (Jo 2.1-11);

A Oração Dominical, ensinada por Nosso Senhor Jesus Cristo, manda recitar, todos os dias, a necessidade que temos do ‘ pão nosso' (Mt 6.11);

O Sacramento da Aliança, que celebra a esperança comunitária, foi instituído ‘ enquanto comiam' e até hoje se repete enquanto comemos o Corpo e bebemos o Sangue do Nosso Senhor Jesus Cristo (Mt 26.26-30; 1Co 11.23-33);

Aos discípulos na Estrada de Emaús só fora dado reconhecer o Cristo Ressurreto quando Ele estava à mesa , abençoava e lhes entregava o pão (Lc 24.13-32);

O rito de passagem final da História para a Eternidade será marcado com o grande Banquete das Bodas do Cordeiro (Ap 19.7).

Ainda poderíamos citar outros textos, mas nos satisfaçamos com estes. Isto serve para nos mostrar que a Teologia tem a ver com o nosso dia-a-dia, com a nossa vida simples e comum. Tal como o nosso prazer e satisfação com a comida aumenta dia a dia, assim também a nossa relação com o Sagrado cresce e se aprofunda constantemente. Tudo o que foi apresentado aqui, com relação à comida, o mesmo poderia ser dito com respeito à musica e poesia. Tudo que se disse sobre o paladar pode ser aplicado à audição e à visão. Pode-se educar os olhos e os ouvidos assim como se educa o palato. Podemos começar com Reginaldo Rossi, passar por Agnaldo Timóteo, Altemar Dutra, Ângela Maria, Nelson Gonçalves, Jamelão, Roberto Carlos, Caetano Veloso, Elis Regina, Elizeth Cardoso, Cartola, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldinho Azevedo e chegar à perfeição de João Gilberto. Podemos começar com Paulo Coelho e chegar ao Rubem Alves. Ou começar com Benny Hinn, passando por Philip Yancey e chegar a Karl Barth. O que não seria compreensível, seria começar e terminar com Reginaldo Rossi, Paulo Coelho e Benny Hinn. É preciso que haja progresso contínuo e ascensão perceptível.

OS CONCEITOS NA TEOLOGIA – Mas a mesa posta não é tudo, embora seja a culminância da beleza e do prazer. É preciso lembrar que o pão já foi trigo e que o trigo já foi semente. Alguém selecionou, plantou, aguou e esperou a semente nascer, crescer e florescer o seu pendão. Foi necessário terra, água, sol e ar para fazer a planta se desenvolver. Houve mãos calejadas, pés furados nos espinhos, suor escorrendo pelo rosto, pele bronzeada pelo sol escaldante e cansaço desejoso de uma longa noite de repouso para, no dia seguinte, começar tudo outra vez... Não podemos esquecer que ainda falta a colheita e transporte do trigo até que ele chegue à cozinha e ao forno de quem vai prepará-lo em fôrmas, pratos e travessas... Finalmente está posta a mesa para que possamos comer e celebrar. Longo e árduo trabalho que nos dá o trigo, não? Pois este é o mesmo trabalho que espera a pessoa que labora com a Teologia. Devemos começar com a semeadura nos campos até servir às mesas.

Como toda ciência, a Teologia tem seus métodos, princípios, regras e leis próprias. Como arte, ela também se apresenta com beleza, com estilo e com aplicação. Sendo assim, a Teologia se propõe a ser uma ciência alegre, viva, dinâmica, vibrante e atraente. Rubem Alves, teólogo, poeta e cozinheiro das Minas Gerais, diz que o saber tem tudo a ver com sabor . Para que uma matéria ou assunto me interesse, é preciso que me apeteça assim como uma comida que me deixa com água na boca. É assim que devemos levar a Teologia ao nosso povo. Isto significa que o trabalho da pesquisa teológica é feito com muito esforço e seriedade. O labor do fazer teológico é marcado pela solidão, pela angústia, pela tentação, mas profundamente recompensador pelo resultado das conclusões e respostas que ela oferece a quem nela pesquisa. O fruto do seu trabalho ele verá e ficará satisfeito (Is 53.11).

Quem faz teologia? Toda pessoa que pensa e reflete sobre Deus, sobre a origem da vida e criação do mundo, sobre a existência humana e seus mistérios, sobre a realidade da morte e sobre o além túmulo... está fazendo teologia. Poderá fazê-la de forma sistemática ou não. Mas está fazendo teologia. A rigor, acredita-se que somente o crédulo seria capaz de fazer teologia, pois é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe e é galardoador de quem o busca (Hb 11.6). Aqui é preciso ter cuidado com o conceito de Teologia Popular. Ninguém, em sã consciência, pode negar que este conceito foi um equívoco da Teologia da Libertação! O povo pode e deve fazer teologia sim, mas nunca se deve confundir a teologia e a sistemática científica do teólogo profissional com a teologia popular. Afinal, pergunta o Apóstolo São Paulo: São todos profetas, são todos doutores, são todos operadores de milagres, têm todos o dom de curar, falam todos diversas línguas, são todos intérpretes? (1Co 12.29,30). O Livre Exame das Escrituras, princípio tão caro e defendido por Martinho Lutero, foi posteriormente deturpado pela idéia de Livre Interpretação das Escrituras. Isto gerou discrepâncias doutrinárias, provocou uma avalanche de novas igrejas e hoje assistimos, envergonhados, o despreparo acadêmico e teológico de suas novas lideranças. O Exame é livre e necessário para nutrir o cotidiano e a espiritualidade das pessoas. Mas a Interpretação obedece a princípios rígidos e convencionais da Hermenêutica. Toda pessoa tem liberdade para possuir um veículo, porém, só poderá trafegar com este veículo em via pública a pessoa que for devidamente habilitada e conhecer as normas e regras do Departamento Nacional de Trânsito.

As premissas – A Teologia é possível e se torna factível sob três axiomas. O primeiro trata da existência de Deus . O segundo tem a ver com a S ua Revelação e o terceiro se refere à razão e capacidade humana de compreender as duas afirmações anteriores. Sagrado, Revelação e cognição. Estas são as três premissas que tornam possível o labor teológico. Deus existe, Deus se revela e o ser humano é capaz de compreender.

A fonte – Via de regra, a fonte primeira da Teologia é a Escritura Sagrada como registro da Revelação de Deus através dos seus feitos na História. Juntamente com ela nós temos os Credos e os Sacramentos . Devemos saber que este legado foi produzido pelos Profetas de Israel (no Antigo Testamento) e Apóstolos da Igreja (no Novo Testamento), sob a inspiração do Espírito Santo de Deus. Sendo assim, poderíamos dizer que a fonte da Teologia é composta por três minadouros, a saber: Escrituras, Credos e Sacramentos.

O modus – Esta fonte deve ser consultada e confrontada à luz da razão , da Tradição dos Santos Padres e Reformadores do século XVI, e também à luz da experiência . Nós não podemos contrariar o que foi pensado pela Tradição. Recebemos dela este legado e seremos fiéis despenseiros e despenseiras à medida que formos leais na transmissão desta herança.

Para que possamos responder às questões do nosso tempo, teremos que partir da Escritura, consultar a Tradição, elaborar a conclusão e levá-la de volta à Escritura para que Ela nos diga se a nossa conclusão está conforme a Palavra de Deus. Karl Barth mostra que o erro do Liberalismo foi partir da Escritura e nunca mais voltar a ela. A Teologia Evangélica, como ele denominava seu trabalho, deve partir da Escritura e voltar, constantemente, a ela para sofrer a sua avaliação. Somente ela tem a palavra final, pois ela é, afinal, a Palavra. Somente podemos avançar à medida que nos aprofundarmos na Escritura e na Tradição. Sem isso, a Teologia poderá ser um grande e belo edifício construído sobre areia movediça.

SÃO TODOS TEÓLOGOS E TEÓLOGAS? É necessário distinguir entre o teólogo que faz a teologia como seu trabalho e sua vocação e nós outros que lemos e pensamos a teologia. Temos que ler e consultar o resultado das pesquisas deles e delas. Afinal, são mulheres e homens que Deus capacitou para o ensino e maestria. A uns Ele deu para profetas, outros para evangelistas, outros para pastores e mestres, querendo com isto o aperfeiçoamento dos santos, a edificação do Corpo de Cristo (Ef 4.11,12). Podemos desprezar o trabalho do profeta ou do evangelista? Então, porque alguns, dentro do Corpo de Cristo, querem desprezar o trabalho do teólogo?

Se você não se vê como teólogo ou teóloga, não se desespere por isso! É Deus quem chama e reparte os dons com quem e como Ele quer, para a finalidade que lhe aprouver! Contudo, queremos avisar que ninguém que foi chamado para o exercício de pregação da Palavra de Deus está isento da obrigatoriedade de saber lidar e conhecer os recursos da Teologia. Não é para “cumprir tabela” que vamos ao Seminário estudar Teologia. Há quem pense e propague que a Teologia (bem como a Liturgia e os Cânones) serve apenas para cumprir um requisito antes da Ordenação. Saibamos que isto é uma tremenda obra de Satanás! Ele quer uma Igreja que não saiba Teologia e, conseqüentemente, não saiba nada de Bíblia e doutrina, para que ele possa introduzir os seus conceitos do misticismo e do sincretismo pós-Moderno, para não falar das heresias que se revestem de filosofismo, antropologismo e psicologismo.

No meio protestante, devido à sua ênfase na palavra, nem todo pregador é pastor, mas todo pastor é (ou deveria ser) pregador! Mas, como ser pregador de uma Palavra que foi escrita entre 3.500 e 2.000 anos atrás, sem que este pregador domine os conceitos de Exegese, de História e de Hermenêutica? É preciso saber ouvir onde o galo canta para que possamos apontar o lugar . O pregador é o que aponta: Eis aí o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (Jo 1.29,36). Assim sendo, o pastor, além de ser pregador, deve, exatamente por ser pregador, saber interpretar e lidar com os recursos da Teologia! Isto significa que temos o sagrado dever de ler teologia. Se nós não lermos, o melhor que conseguiremos fazer de nós será uma casta de analfabetos teológicos. (Leia-se aqui analfabetismo bíblico e doutrinal!). Se nós, pastores e pastoras, formos analfabetos, o que serão as nossas ovelhas?

Evidentemente nem todos seremos teólogos como o foram Santo Agostinho de Hipona, Santo Anselmo de Cantuária, Santo Tomás de Aquino e o Mestre da Basiléia, Karl Barth! (Aliás, as mulheres, por razões históricas conhecidas, ainda não produziram um grande nome na Teologia. Mas graças à Teologia da Libertação e às ordenações ocorridas nas Igrejas Anglicana, Luterana e Metodista, esperamos que oportunamente esta distorção seja superada). Basta sabermos que fomos chamados e chamadas para contribuirmos segundo as nossas forças, correspondendo às necessidades da Igreja do Senhor Jesus Cristo. Basta que sejamos fiéis Àquele que nos vocacionou para trabalhar na sua obra. Não deixemos que a desídia ou indolência nos faça responsabilizar o Espírito Santo pelo trabalho que deixamos de fazer. Maldito quem faz a obra do Senhor relaxadamente (Jr 48.10).

AS DEFORMIDADES DA AUSÊNCIA – A exclusão da Teologia do exercício pastoral pode acarretar sérios problemas tal qual a deficiência de uma vitamina no organismo de uma criança. Nós, como Igreja de Cristo, somos o Corpo do Senhor. Foi a crítica da Teologia que fez a Igreja voltar ao seu prumo com o reformador Martinho Lutero. É ela a responsável pela avaliação e atualização constantes da Igreja, do Dogma, das Confissões e da Instituição. Sem Teologia, teremos um Clero despreparado e débil; e um Laicato conduzido e seduzido por todo e qualquer vento de doutrina (Ef 4.14). O meu povo peca porque lhe falta conhecimento (Os 4.6). Não havendo sábia direção o povo peca (Pv 11.14).

Não nos enganemos . Expressões hoje correntes no meio evangélico popular, tais como “encosto”, “descarrego”, “estreito” etc. foram retirados de religiões pagãs de feitiçaria, enxertados em alguns cultos de orientação neopentecostal, e largamente utilizados por pastores e pastoras de igrejas reformadas. É a falta do conhecimento bíblico-teológico que faz surgir expressões como: “Deus foi convidado para este culto e hoje vai visitar o seu povo”. (Ora, quem é convidado não faz parte da família. Quem visita não mora na casa. Acabou o evento, a pessoa vai embora! Mas o Espírito Santo veio habitar definitivamente em nós, conforme Jo 14.17; Rm 8.11; 1Co 6.19). “Ó Deus, manda-me a porção dobrada do teu Espírito Santo...” (Só se pode pedir isso numa perspectiva de ser humano para ser humano, tal como fez Eliseu antes da trasladação de Elias (2Rs 2.9-10). Como poderia eu pedir a Deus duas vezes a totalidade existente do Espírito Santo? Deus daria um sorriso e me diria: ‘Infelizmente, não posso atender tal pedido em vista de Eu ter apenas um Espírito'). “Rompendo em fé, vou mover o sobrenatural”. (As três primeiras palavras geram o que se chama de anacolutismo lingüístico. Frases vazias e desprovidas de sentido. ‘Mover o sobrenatural' é uma linguagem própria das religiões de magia. Nada possui de Cristianismo). “Pela fé eu contemplo um homem de branco no meio da igreja...”. (Se for numa comunidade anglicana, esse homem pode ser qualquer dos nossos clérigos ou ministros. Mas se se refere a Cristo, estamos incorrendo no mesmo equívoco que tanto combatemos. Estamos criando ídolos. Queremos dar forma e imagem ao nosso objeto de culto. Nós condenamos as imagens do culto romano, mas criamos dessas visagens para o culto reformado. Não façamos imagens nem visagens. Não precisamos de fantasmas nas nossas celebrações). “Ó Deus, eu ordeno que tu faças... Eu declaro que tu vais fazer assim, se de fato tu fores o Deus que eu creio...” . (A Teologia Evangélica é serva humilde e nos ensina que a correta doutrina bíblica nos diz que nós somos servos e servas e somente Deus é o Senhor e só Ele pode ordenar). Estas expressões, além de equivocadas, estão plenas de arrogância porque se revestem de uma autoridade que não nos compete. Estão embasadas numa hermenêutica débil e conseqüentemente gerou uma teologia débil, porém, muito cheia de empáfia. Que tal exigirmos dos nossos poetas e compositores que aprendam Bíblia e doutrina antes de fazerem suas canções? Sem saudosismo algum, queremos dizer que isso não acontecia com o pessoal do Vencedores por Cristo, Grupo Elo, Grupo Logos, Grupo Semente ... Esse descalabro surgiu nos estilos das chamadas Comunidades Independentes e do Neopentecostalismo. Consideramos que, atualmente, o grande disseminador de doutrinas sem sustentação bíblico-teológica é o rádio e a televisão, juntamente com a discografia de qualidade e procedência duvidosas.

O ESPÍRITO SANTO E A TEOLOGIA – A Teologia será tanto mais evangélica e cristocêntrica quanto mais pneumática ela for. Não é possível fazer correta (ortodoxa) teologia sem o auxílio e orientação do Espírito Santo. Numa conversa, recentemente, com um reverendo anglicano do Chile, dissemos que nós, na condição de teólogos e teólogas ou como leitores e leitoras da Teologia, não podemos ter medo e nem prescindir do Espírito Santo. Toda e qualquer heresia, sem dúvida, foi produzida longe da regência do Espírito Santo. Toda doutrina que exala verdade e exalta a Deus Pai e ao Deus Filho, procede do Espírito Santo. Jesus disse que o ministério do Espírito Santo seria essencialmente o magistério. Ele vos ensinará todas as coisas e vos guiará em toda verdade e vos fará lembrar todas as coisas que eu vos tenho ensinado (Jo 14.26; 16.13). Desta forma, o Espírito Santo é o Mestre por excelência, o Preceptor. Ele é o campeão da ortodoxia. Nenhuma verdade sobre Deus poderá ser produzida sem a orientação dEle. Toda qualquer heresia foi inventada longe dEle. Quando o entendemos corretamente sabemos que Seu trabalho é glorificar a obra do Pai e do Filho (Jo 16.14,15). Saibamos que o Espírito Santo não ilumina apenas a pessoa que se encontra no púlpito, com a Bíblia em punho. Ele também ilumina a mente de quem pesquisa diante dos livros, na sua mesa de escrivaninha.

CONCLUSÃO – A Teologia Evangélica ou Sagrada Teologia, como a chamavam alguns dos Santos Padres, é um instrumento poderoso que a Trindade colocou à disposição da Igreja e ao serviço da compreensão das Sagradas Escrituras, no preparo de estudos e sermões, para melhor alimentar o rebanho de Cristo. Se quisermos construir uma igreja sadia, com doutrina sadia e com gente sadia, temos que procurar auxílio da teologia sadia. Isso só é possível se formos às Sagradas Escrituras, respeitando a Tradição e voltando constantemente às Sagradas Escrituras. Esta é a importância da Educação Teológica para o exercício do Ministério Pastoral e crescimento espiritual do Corpo do Senhor Jesus Cristo.

 

*Rev Maurício Amazonas, OSE
(Clérigo da Diocese Anglicana do Recife – DAR - Capelão do Seminário Anglicano Teológico – SAT/PE - Frade da Ordem Anglicana de Santo Estêvão, Mártir – OSE - Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Congregacional do Recife – STCR - Bacharel em Ciências Sociais pela Universidade Federal Rural de Pernambuco – UFRPE - Mestrando em Teologia do Novo Testamento pelo Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil – STBNB)

 

Palestra proferida no Encontro Diocesano de Educação Teológica, no Centro Diocesano George Carey – Catedral Anglicana do Bom Samaritano. Recife, 19 de novembro de 2005.

 

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