Um Grito de Alerta
| Artigo da Revda. Jeane Coelho |
“ Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu , com as obras, te mostrarei a minha fé.” Tg 2:18
Há poucos dias conversando com uma amiga sobre fé em Deus e Igreja ( ela é católica romana ), ela me perguntou quais as obras sociais que a Igreja Anglicana fazia em nossa cidade. Sem demora, relatei que a mesma possuía creches, grupos de idosos, sopões, trabalhos com catadores de lixo, distribuição de cestas básicas, entre outras atividades que as várias paróquias, missões e pontos missionários realizam. Ela se mostrou satisfeita com a resposta, porém, para a minha surpresa, eu é que não fiquei. Existem perguntas que ficam nos confrontando e que exigem de nós respostas honestas. Muitas vezes revelam nossas fraquezas, dificuldades e omissões. Esta com certeza foi uma delas. Que tipo de fé é a nossa? É uma fé viva ou morta e vazia? ( cf Tg 2:17) Como a Diocese do Recife tem se conduzido no amor ao próximo? Como tem mostrado a sua fé viva por meio das obras? Como temos impactado a comunidade em que estamos inseridos? Somos relevantes ou uma pálida lembrança do cristianismo autêntico? Ainda, como responder a tudo isso sem sermos hipócritas ou omissos? Bem, comecemos humildemente reconhecendo as nossas falhas e erros. Sem máscaras, podemos confessar que ainda fazemos muito pouco diante do Deus de Amor que deu o Seu Filho unigênito para que fôssemos perdoados e reconciliados com Ele. E o apóstolo Paulo nos anima, dizendo: “ E Ele morreu por todos, para os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.” 2 Co 5:15 Será esta a nossa atitude? Se no primeiro momento temos um encontro pessoal com o nosso Salvador; em seguida deveríamos doar o fruto deste encontro, o amor, ao nosso próximo. É o Amor em ação! A Igreja Anglicana possui a sua missão em cinco avenidas : proclamar as boas novas do evangelho; batizar, ensinar e nutrir pastoralmente os fiéis; servir com amor aos necessitados; lutar pela transformação das estruturas sociais injustas ; zelar e cuidar das questões do meio ambiente. Como consenso, o que se espera de nossas igrejas é que elas tenham as suas ações balizadas nestas áreas para que em equilíbrio o corpo ande sem manquejar. A dificuldade que vislumbramos é que evangelizamos muito, ensinamos moderadamente, servimos ao próximo menos que deveríamos e quanto a denúncia profética e ao meio ambiente quase não falamos. Enfim, existem lacunas em nossa Diocese no que diz respeito à Missão Integral da Igreja. Para sermos relevantes ,no lugar e época em que vivemos, necessitamos dar o evangelho todo a todo homem. Não podemos andar mais rápido em nossa missão, se não a fizermos com mais profundidade e responsabilidade social. Será que temos nos escondido do nosso semelhante? ( cf Is 58:7) Será que não vemos as crianças na rua, os idosos desassistidos nos hospitais, a miséria estampada das favelas, a violência desmedida contra as mulheres, o desespero dos desempregados, a desorientação e alienação dos jovens; enfim, a falta de justiça e de valores em nosso país? As questões são sérias e devemos tratá-las com discernimento, sabedoria e humildade. E, também, com a coragem de assumir nossos fracassos, nos voltando para o Senhor da Igreja, clamando ao mesmo que nos aumente a fé para sermos cidadãos dos céus aqui na terra. Finalmente, que possamos entender que as obras do Senhor são o resultado do quanto O amamos e de quanto estamos comprometidos com o Seu Reino. Que Deus nos dê mais lágrimas e disposição para não nos conformarmos em fazer tão pouco diante de uma nação tão injusta socialmente. Eis, apenas um grito de alerta! Que Deus nos abençoe e Mãos à Obra!!!!!!!!! No Amor de Cristo,
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