Uma Breve Análise Histórica da Escola Bíblica Dominical - Rev. José Roseno da Silva Irmão
Pensamento do Clero

Uma Breve Análise Histórica da Escola Bíblica Dominical
Rev. José Roseno da Silva Irmão (¬)
INTRODUÇÃO
Em meados do século XVIII na Inglaterra, o inglês Robert Raikes teve uma idéia brilhante da qual passaria a ser o fundamento de uma obra que atravessaria os séculos, chegando até nós, a ponto de ter dezenas de milhões de pessoas aprendendo as Escrituras, e tornando-se a mais poderosa agência de ensino da Palavra de Deus de que a igreja dispõe.
Tornou-se a Escola Dominical tão importante, que já não podemos conceber uma igreja sem ela. Haja vista que, no dia universalmente consagrado à adoração cristã, nossa primeira atividade é justamente ir a esse prestimoso educandário da Palavra de Deus. É aqui onde aprendemos os rudimentos da fé e o valor de uma vida consagrada ao serviço do Mestre.
No âmbito da educação cristã, os ensinamentos bíblicos ministrados na E.B.D. têm de sair do campo teórico para o prático, ou seja, os conteúdos de ensino devem despertar nos alunos motivação para mudança de comportamento. O professor precisa estar ciente de que todo o ensinamento bíblico na E.B.D. está, naturalmente, carregado de realidade e senso prático, como expressou São Paulo: “Ponham em prática o que vocês receberam e aprenderam de mim, tanto as minhas palavras como as minhas ações” Filipenses 4.9.
HISTÓRICO DA E.B.D.
A E.B.D. NO MUNDO
A Escola Dominical nasceu por intermédio de um homem que compadecido com as crianças de sua cidade, quis fazer algo para mudar tal situação. Como ficar insensível diante daquele quadro em que se encontravam os meninos e as meninas que, sem rumo, perambulavam pelas ruas da cidade de Gloucester, Inglaterra, onde a delinqüência infantil era um grande problema social que parecia impossível de resolver.
O caos era tão imenso que os menores roubavam, viciavam-se e eram achados envolvidos nos piores delitos que se possa imaginar.
E foi nesse momento tão crucial que o jornalista episcopal Robert Raikes entra em cena.[1] O mesmo na época era um homem maduro, mas inconformado com o que vivenciava em seu contexto, e foi aí que surgiu a idéia de sair pelas ruas para realizar um trabalho até aquele momento inédito, que era convidar os pequenos transgressores a reuniões dominicais para estudarem. A escola criada por Raikes buscava resgatar crianças da marginalidade, dando-lhes melhores condições de vida através do estudo bíblico, noções de higiene, aulas de moral e civismo, matemática, história e inglês.
Após bem pouco tempo a escola de Raikes tornou-se popular e reconhecida pela sociedade, mas mesmo assim surgiram opositores, que alegavam a quebra do dia do Senhor, o tradicional domingo, e iam muito mais além, dizendo que este dia era de consagração e não de se jogar fora cuidando desses moleques.
Este trabalho realizado por Robert Raikes iniciou-se em 1780, mas só em 1783 ele resolveu divulgar seus resultados dessa obra até então pioneira na esfera social e eclesiológica.
O dia que entrou para a história como aquele da fundação da Escola Dominical, foi o mesmo em que publicará em seu jornal (03/11/1783) a operação divina na vida das crianças em Gloucester.
A obra de Raikes causou um tão grande impacto que ultrapassou as barreiras eclesiásticas, sendo utilizados inclusive nos dias de semana, tornando-se a base das futuras escolas públicas.
A E.B.D. NA AMÉRICA
Nos E.U.A., a primeira E.B.D. reconhecida foi a fundada por William Elliot no ano de 1802. A mesma iniciou-se em sua fazenda e era realizada aos domingos no período da tarde. Posteriormente foi transferida para a Igreja Anglicana de Oak Grave, no condado de Accomac, Virgínia. No início do século XIX, foram fundadas muitas escolas dominicais nos mais diversos lugares dos E.U.A., e seu crescimento e expansão foi intenso. Com tudo isso, formou-se várias uniões formais de E.B.D., sendo organizadas com o intuito de ensinar tanto as crianças quanto aos adultos. No decorrer do tempo as Igrejas Evangélicas passaram a entender que era necessário ensinar a Bíblia a seus membros, em regime semanal, e este trabalho poderia ser realizado através da Escola Dominical. No ano de 1824, a União Norte-Americana de Escolas Dominicais contava com escolas em dezessete estados dos seus trinta e quatro então existentes.[2]
A E.B.D. NO BRASIL
A Igreja Metodista trouxe a Escola Dominical para o Brasil. Em 1836, o Rev. Justin Spaulding organizou no Rio de Janeiro, entre estrangeiros, uma congregação com cerca de 40 pessoas e em junho abriu uma Escola Dominical com 30 alunos, dos quais alguns eram brasileiros, ensinados na sua própria língua.
Os missionários escoceses Robert e Sara Kalley são considerados os fundadores da Escola Dominical no Brasil, de uma maneira ininterrupta. Em 19 de agosto de 1855, na cidade imperial de Petrópolis, no Rio de Janeiro, eles dirigiram a primeira Escola Dominical em terras brasileiras. Seu pontapé inicial contou apenas com cinco crianças, que assistiram àquela aula sobre a história do profeta Jonas.[3] Mas foi suficiente para que seu trabalho florescesse e alcançasse os lugares mais retirados de nosso país. Essa mesma Escola Dominical deu origem à Igreja Fluminense, a primeira Congregacional no Brasil.
Houve, sim, reuniões de Escola Dominical antes de 1855, no Rio de Janeiro, porém, em caráter interno e no idioma inglês, entre os membros da comunidade americana. Hoje, no local onde funcionou a primeira Escola Dominical do Brasil, acha-se instalado um colégio.
CONCLUSÃO
Este texto tem como finalidade abordar de uma maneira resumida a historicidade da E.B.F.
Ao examinar este assunto numa breve bibliografia e na realidade vivida, chegasse à conclusão que para manter-se ativa na igreja nos dias contemporâneos e atrair mais pessoas à E.B.D. precisa acompanhar o tempo presente, buscando e usando inovações, quer sejam, tecnológicas, pedagógicas, metodológicas, didáticas etc.
Para muitos a E.B.D. é um espaço de debates, estudo e construção da fé, e, sendo assim, ela tem de ser considerada como parte de um processo contínuo, sujeito a mudanças e recontextualizações de acordo com as necessidades que surgem.
Desta forma a E.B.D. deve ser suficientemente flexível para incorporar as modificações que se façam necessárias no decorrer de seu dia-a-dia.
Nos conteúdos, se faz necessário usar as habilidades, a criatividade, em um contexto que dá a eles significados, para que sejam construídos de forma que os alunos/ouvintes/participantes não os vejam como compartimentos fechados do conhecimento, utilizáveis apenas na situação discutida em sala de aula.
A metodologia precisa possibilitar aos educandos estabelecer relações em outras situações a partir do conhecimento aprendido/discutido, habilidade extremamente necessária e valorizada na sociedade atual.
Na didática, o professor da E.B.D. tem que ter em sua prática docente a consciência de suas responsabilidades, deve-se preocupar não apenas em ampliar o cabedal teórico de seus alunos, mas em orientá-los quanto à necessidade de traduzirem seus conhecimentos em ação dinâmica e eficaz.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CARDOSO, Douglas Nassif. Robert Reid Kalley: Médico, Missionário e Profeta. 1ª ed. São Bernardo do Campo, São Paulo: Ultimato, 2001, 175 p.
CHAMPLIN, Russell Norman. Enciclopédia de Bíblia, Teologia e Filosofia. 7ª ed. São Paulo: Hagnos, 2004, 476 p.
FILHO, Manoel Porto. Congregacionalismo Brasileiro. Rio de Janeiro, RJ: U.I.E.C.B., 1997, 102 p.
¬ Rev. José Roseno da Silva Irmão é Presbítero na Diocese do Recife; membro da Equipe Pastoral da Paróquia Anglicana em Gravatá, no Arcediagado Centro da Diocese. Artigo amplamente veiculado em 19/08/2008.
| Comentários |
|
3.26 Copyright (C) 2008 Compojoom.com / Copyright (C) 2007 Alain Georgette / Copyright (C) 2006 Frantisek Hliva. All rights reserved."
Última atualização (Sáb, 18 de Agosto de 2012 21:31)



















