Mães Piedosas - Reflexão Episcopal - Bispo Evilásio Tenório
Reflexão Episcopal
Mães Piedosas
Ao me sentar para escrever este artigo sobre o Dia das Mães vejo frente a mim em meu escritório, uma réplica em miniatura da obra La Pietá, cujo original hoje se encontra na Basílica de São Pedro, em Roma, esculpida em mármore por Michelangelo, em 1499. Naquela ocasião era moda entre os artistas a produção de uma Pietá (Piedade) onde retratavam a dor que Maria sentiu no momento em que teve o corpo do seu filho entre os seus braços. Ali está representada toda a humanidade através de Maria; ali estão representadas especialmente todas as mães do mundo que choram por seus filhos.
A vida de Maria, como mãe, sempre foi atribulada. Desde o momento em que recebeu do anjo Gabriel a notícia de que estava grávida até o momento em que viu o seu filho morrer na cruz, Maria assume o papel padrão de mãe que abdica da sua vida pessoal, da sua privacidade, para cuidar do esposo e dos filhos.
Interessante que quase todos os homens que receberam um chamado do Senhor para assumir uma missão a princípio deram desculpas para se livrarem da tarefa. Lembremo-nos de Moisés que declarou que “não sabia falar” (Ex 4:10), de Jeremias que também alegou que não sabia falar e que não passava de uma criança (Jr 1:6).
Maria, a princípio, até se assustou com a presença repentina de “um estranho” em sua casa, porém ao tomar conhecimento da vontade do Senhor para a sua vida, imediatamente respondeu ao anjo: “Eu sou a serva do Senhor, cumpra-se em mim a tua palavra” (Lc 1:26-38). E, a partir do versículo 46 do capítulo 1 de Lucas, temos um dos trechos mais lindos da Bíblia, o chamado Magnificat, ou o Cântico de Maria, onde em um momento de grande alegria, ela começa declarando: “Minha alma engrandece ao Senhor e o meu espírito se alegra em Deus meu salvador ... ".
Maria tinha a perspectiva correta. Ela conhecia quem era o Seu Deus e quem ela própria era. Como serva do Senhor, sabia que nada era impossível para Ele. Se Ele falou, sabia que iria acontecer.
Com o Senhor ao nosso lado, nada é impossível. Embora, às vezes, não compreendamos o jeito do Senhor fazer as coisas, podemos ter certeza que Sua vontade está sendo realizada.
Embora sabendo que iria sofrer naquela missão para a qual o Senhor a chamava, Maria se lembrava do Salmo 127:3: “Os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre o seu galardão”.
Ao olhar para a Pietá, posso imaginar que ali Maria poderia estar perguntando: “Senhor, não poderia ter sido de outro jeito?”. Essa pergunta qualquer de nós faria em seu lugar. O nosso lado humano tem dificuldade de compreender as coisas de Deus, porém Maria nos ensina a ponderar sobre essas coisas. Em Lc 2:19 podemos ler: “E Maria guardava todas essas coisas, meditando-as em seu coração”. E ela certamente meditava quando via seu filho ser perseguido pelos poderosos fariseus e saduceus da época; quando Jesus pregava e muitos buscavam ridiculariza-lo; meditou quando soube que Ele fora preso e levado a julgamento perante o Sinédrio e as autoridades romanas.
E na Pietá nos lembramos que Maria nunca abandonou seu filho, mormente depois dEle morto. Na Pietá vemos a dor do mundo por não ter sido capaz de compreender aquele que foi enviado para livrá-lo das trevas.
Maria aqui representa todas as mães: as mães que são felizes porque hoje podem estar com os seus filhos homenageando-as ou por aquelas cujos filhos não lhes dão a devida atenção, que apenas passam para trazer “uma lembrança”. Maria representa todas as mães que choram de dor ou de alegria por seus filhos que foram perdidos para o mundo ou que hoje ocupam posição que traz alívio a este mundo.
Nós da Diocese do Recife homenageamos todas as mães – Clérigas, leigas –, enfim, todas as mães que hoje podem repetir, conforme Lc 1:49: “Grandes coisas me fez o Senhor, Santo é o seu nome”.
Que Deus abençoe todas as mães!
+Evilásio Tenório
Bispo Sufragâneo
Região Eclesiástica 2
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Última atualização (Sáb, 12 de Maio de 2012 18:09)



















