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Home Artigos Clero E a Diocese do Recife, Como Vai? - Reflexão Diocesana

E a Diocese do Recife, Como Vai? - Reflexão Diocesana

Reflexão Diocesana

 

E a Diocese do Recife, Como Vai?

“Respondeu-lhes Jesus: Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho” (Mt 11:4-5)

 

Há exatos dois meses, nosso Bispo Diocesano, Dom Robinson Cavalcanti, e sua amada esposa Miriam, completaram sua carreira, guardaram a fé juntos, como viveram até o último dia de combate, e partiram para o eterno descanso na presença do Pai.

 

Daquele dia, em diante, muitos começaram a perguntar: “E agora, o que será da Diocese do Recife?”. Outros, sem conhecimento de nossa história de lutas e vitórias, ou conhecendo apenas o que leram em alguns livros e ouviram em algumas palestras de nosso Bispo, se atreveram a tecer comentários sobre a realidade da Diocese, sobre o destino da Diocese e, até, sobre os sentimentos da Igreja Anglicana-Diocese do Recife.

 

Alguns, inescrupulosos, aproveitadores e insensíveis, torceram para que, com a partida de Dom Robinson, chegasse ao fim a nossa história; outros, até por ignorância, chegaram a dizer que estávamos perdidos, sem saber o que fazer. Alguns, se aproveitando; outros, confundindo nosso momento de mais profunda dor pela perda de dois amigos, de dois irmãos, pela perda de um pai e uma mãe, de dois servos do Senhor que eram admirados em tudo o que faziam, com o lamento pela perda de “um bispo”. É claro que esse lamento também é verdadeiro. O engano está em não entender que nossa dor maior não é pela perda de um grande líder, e, sim, pela perda de duas pessoas amadas. O nosso líder, Dom Robinson Cavalcanti, sempre lutou, inclusive internacionalmente, para que as pessoas compreendessem que nossa Diocese era dirigida primeiro pelo Senhor, depois por ele, pelos instrumentos e pessoas que compõem a Diocese, a saber: Sínodos, Conselho Diocesano, Cânones, Arcediagos, Clérigos e Clérigas, líderes leigos...

 

Ele dirigiu com maestria esta Diocese. Foi o homem certo para o momento certo. Como Moisés, nos pastoreou pelo deserto; no deserto, sofreu rebeliões “Coré(anas)” e decepções com irmãos mais chegados, mas, como Moisés, foi amparado e justificado por Deus.

 

 

Infelizmente, como ele mesmo dizia, e sem saber como seriam seus últimos dias entre nós, por várias vezes, pública e/ou individualmente, nos alertou como profeta: “Talvez eu não chegue à terra prometida, mas, meu sucessor a verá”, ou “Talvez eu não chegue à Canaã, mas já estou contemplando do monte”. Essas, sim, eram palavras que ouvimos do nosso Bispo amado, sempre significando: “A obra não pode parar!”; “Avante, soldados de Cristo”, frases que ele constantemente repetia, especialmente quando alguém estava querendo amolecer ou desanimar.

 

Não partiu sem deixar uma Igreja forte, alicerçada no evangelho nem sem realizar e se alegrar com um de seus grandes sonhos a caminho da continuidade de seu ministério; deixou eleito dois Bispos Sufragâneos, que já foram, devida e canonicamente, Sagrados com Rito, convidados, hinos e, até, posicionamentos devidamente organizados por ele mesmo, além de um cronograma que nos esforçaremos para cumprir.

 

O contexto dos versículos-tema, relatados em Mt 11, foi  o envio de discípulos de João Batista para perguntarem a Jesus se Ele era realmente Aquele que haveria de vir ou deveriam esperar outro. João Batista, depois de pregar a vinda do Messias, aplainar os caminhos para sua chegada, por um momento, sabe-se lá com que sentimento naquela prisão, demonstra alguma dúvida sobre Jesus. Talvez fosse também uma tentativa de ouvir uma palavra de conforto da boca do próprio Jesus, e foi o que o Senhor fez. Sua resposta, que para alguns parece rude, volta para João Batista, positiva, cheia de esperança e conforto para quem conhecia a profecia descrita em Isaias 35:

 

Dizei aos turbados de coração: Sede fortes, não temais; eis o vosso Deus! com vingança virá, sim com a recompensa de Deus; ele virá, e vos salvará. Então os olhos dos cegos serão abertos, e os ouvidos dos surdos se desimpedirão. Então o coxo saltará como o cervo, e a língua do mudo cantará de alegria; porque águas arrebentarão no deserto e ribeiros no ermo (Is 35:4-6)

 

 

Jesus não apenas responde confirmando que é o Messias. Ele anima João Batista quando diz: “Ide contar a João as coisas que ouvis e vedes: os cegos veem, e os coxos andam; os leprosos são purificados, e os surdos ouvem; os mortos são ressuscitados, e aos pobres é anunciado o evangelho”.

 

Ou seja, tudo está ocorrendo com a direção de Deus. Eu vim e estou fazendo tudo o que me foi delegado pelo Pai; estou fazendo a minha parte. Fique tranquilo. Você cumpriu bem o seu papel. Agora é comigo!

 

Dom Robinson também cumpriu bem o seu papel; outro não teria feito melhor.

 

Como eu disse acima, nosso Bispo Diocesano sempre afirmou que a Diocese do Recife não era Dom Robinson Cavalcanti, mas uma parcela da Igreja do Senhor, Una, Santa, Católica, Apostólica, Reformada, e formada por mulheres e homens valorosos, defensores da ortodoxia cristã, que não dobraram seus joelhos a Baal ou a Mamon, e que não seria sua ausência que impediria o avanço desta Igreja. Nosso Diocesano não costumava tomar decisões sem consultar o Conselho Diocesano, sem obedecer aos Cânones, ou sem levar as alterações necessárias aos Concílios ou Sínodos. Todas as decisões sempre foram tomadas por um colegiado. Ele nunca foi a favor de um Episcopado monárquico, sempre valorizou não apenas o Clero, mas a opinião dos leigos, a oração, sempre ouvindo a voz de Deus pacientemente. Por isso, muitas vezes pagou o preço da incompreensão que os líderes pagam em solidão. Nada disso o desanimou o suficiente para que abandonasse seu ministério, sofrendo “mais martírio do que honra”.

 

Nesta mesma linha de pensamento, quero responder a quem perguntar:

 

E a Diocese do Recife, como vai?

 

Venham e vejam:

=> Atividades evangelísticas continuam acontecendo em todas as nossas comunidades espalhadas pelo Brasil, seja com evangelismo de rua, pessoal ou em massa; seja com Curso Alpha, Cursilho, Encontro de Casais, Encontro de Jovens, Seminários e Congressos. É só acompanhar a divulgação disponibilizada no site da Diocese do Recife (www.dar.org.br);

 

=> Nossos Encontros Diocesanos estão a todo vapor. No próximo final de semana, por exemplo, teremos o Encontro Diocesano de Intercessão, em Olinda, e, paralelamente, o Encontro de Mulheres do Arcediagado Paraíba;

 

=> Nossas comunidades continuam realizando Chás, almoços, jantares, cursos para crescimento e conhecimento anglicano como o Curso sobre o LOC, por exemplo;

 

=> Nossos Seminários Anglicanos Teológicos (SAT’s) e Institutos Teológicos Anglicanos (IAT’s) continuam preparando líderes, e nossas Assembleias Arcediagais apenas tiveram suas datas reprogramadas;

 

=> Nossas creches e apoios sociais estão presentes em todas as comunidades;

 

=> Temos líderes nos representando no cenário internacional, sendo recebidos e fortalecidos com apoio pessoal e comunitário;

 

=> Novos Pontos Missionários Anglicanos continuam sendo criados com visão do Evangelho integral, como dizia nosso Bispo Robinson: “Nenhuma Igreja sem projeto social; nenhum projeto social sem igreja”.

 

=> Novos Ministros Locais e Evangelistas continuam sendo instalados; os Postulantes continuam fazendo seus estágios e alguns Candidatos às Sagradas Ordens poderão ser Ordenados ainda este ano;

 

=> As pessoas continuam sendo libertas da escravidão do pecado e sendo salvas por Jesus Cristo; os testemunhos de curas continuam acontecendo conforme a vontade de nosso Senhor;

 

=> Os batismos continuam sendo realizados e, neste último final semana, eu e Dom Evilásio realizamos nossas primeiras Confirmações do ano; as fileiras do exército de Deus continuam aumentando.

 

E a Diocese do Recife, como vai?

 

Venham e vejam vocês mesmos:

=> O IDE de Jesus Cristo está sendo obedecido, o Evangelho está sendo pregado e testemunhado, as pessoas estão sendo curadas, libertas, ensinadas e batizadas em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo!

 

Um grande conforto e alegria enche nosso coração a respeito de Robinson e Miriam, quando lembramos que gostaríamos de pisar com eles a nova terra: Eles já chegaram onde todos nós queremos um dia chegar!

 

Gostaria muito que aqueles que, como nós, não tiveram a oportunidade de conviver com Dom Robinson e Miriam, que não passaram horas conversando e ouvindo suas palavras extra livros, seja  no Centro Diocesano, em viagens, em Paripueira (AL) ou até desfrutando de momentos inesquecíveis em sua varanda na casa de Olinda (PE), quando ele balançando na rede tendo ao lado sua amada Miriam, as vezes cochilando pelo avançado da hora, mas irredutível em acompanhá-lo, falava de suas ideias, seus projetos e esperanças, procurem, ao menos, ler seus livros e textos antes de falar coisas que ele nunca disse.

 

Se quisermos, de fato, respeitar o legado de Dom Robinson, precisamos manter acesa a chama que ele acendeu em nossa Diocese, que preferiu traduzir em palavras de um hino, que não era seu preferido, mas afirmava exatamente o que ele acreditava: “Ninguém detém; é obra Santa!”.

 

Dom Robinson Cavalcanti ensinava no Seminário, defendia em seus artigos, livros, e pregava em todas as igrejas: “Assim é a Igreja Anglicana: é uma unidade na diversidade. Nós defendemos a diversidade limitada pela Palavra  de Deus”, sem nunca deixar de afirmar: “Desde que obedeça a ortodoxia”. (A Diocese do Recife reconhece o papel histórico e simbólico da Sé de Cantuária, e acatará as resoluções dos Instrumentos de Comunhão, sempre que as mesmas estejam conforme as Sagradas Escrituras e a Tradição da Igreja. Canon 1, Art. 2º.).

 

Ele sabia muito bem que no meio do seu povo estavam amigos e colegas, filhos e sobrinhos. Que no meio do seu povo havia aqueles fiéis a toda prova e aqueles que apenas cumpriam o básico. Mas, essa era a Igreja que ele amava, dirigia e confiava, pois sabia que em todos havia um só sentimento sincero de obedecer e fazer a vontade de nosso Senhor Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Isso, sim, alegrava o coração dele.

 

Dom Robinson sempre foi veementemente contra e condenou projetos individuais, projetos que não levam em conta a Diocese, que não respeitam as diferenças sejam quais forem. Ele sempre defendeu que pastores e bispos são representantes do povo de Deus e precisam agrupar o máximo possível desse povo de Deus, dirigindo-os em um propósito comum.

 

Ele mesmo não era apenas mais Bispo da Igreja Anglicana. Esta era a Igreja que ele amava, defendia, sofria por ela e com ela, mas ele era, antes, um cidadão do Reino e, como sempre falava, servo da Igreja militante a caminho da Igreja triunfante, por isso nunca recusou um convite sequer para pregar, compartilhar e comungar com irmãos cristãos de outras denominações, independentemente se eram pentecostais, tradicionais ou carismáticos. Para onde fosse convidado, ali estava ele contribuindo com o Reino de Deus.

 

Nossa dor não se esvairá tão cedo. Nossa saudade nunca acabará. Seus ensinamentos sempre serão lembrados por nós, que andávamos com ele, e pelos que vão ouvir e ler a seu respeito, como ficou registrado no hino em sua homenagem. Não nos espalharemos. Juntos e, em amor, permaneceremos, e seu cajado levantaremos.

 

Logo após a partida dos discípulos de João Batista, Jesus fez o pronunciamento que citamos, destacou o trabalho perfeito e exaltou-o a ponto de dizer que não surgiu profeta maior do que ele entre os nascidos de mulher. Mas deixou claro que maior do ele é o menor no reino dos céus, pois já desfruta da obra redentora com maior intensidade do que nós.

 

Mas porque saístes? Para ver um profeta? Sim, vos, digo, e muito mais do que profeta. Este é aquele de quem está escrito: Eis aí envio eu ante a tua face o meu mensageiro, que há de preparar adiante de ti o teu caminho. Em verdade vos digo que, entre os nascidos de mulher, não surgiu outro maior do que João, o Batista; mas aquele que é o menor no reino dos céus é maior do que ele (MT 11:10-11).

 

O que dizer sobre Dom Robinson? Foi grande profeta entre nós, mas hoje já é maior do que qualquer profeta presente na Igreja militante, pois também já desfruta do reino dos céus.

 

E a Diocese do Recife, como vai?

 

Vai seguindo adiante o que aprendeu do profeta; segue adiante o que tem aprendido do Senhor; consciente de que nosso Bispo Diocesano concluiu bem a sua parte e agora precisamos executar a nossa.

 

A Diocese não está parada, olhando para as nuvens, boquiaberta, pois sabe que Aquele que subiu, certamente voltará em glória, mas sabendo que quando Ele voltar vai querer nos encontrar trabalhando, crescendo, pregando, ensinando, vivendo seus mandamentos. Assim vai a Diocese do Recife.

 

Ainda sentindo as dores da ausência do Bispo Robinson Cavalcanti, porém, mais ainda, a ausência dos irmãos Robinson e Miriam, porém firmes, sabendo que em Jesus somos mais do que vencedores!

 

Avante, soldados de Cristo! Ninguém detém; é obra Santa!

 

Que o Senhor continue nos abençoando com seu Espírito Consolador!

 

+Dom Flávio Adair

Reverendíssimo Bispo Sufragâneo – Região Eclesiástica 1

 

+Dom Evilásio Tenório

Reverendíssimo Bispo Sufragâneo – Região Eclesiástica 2

 

Rev. Márcio Simões+

Presidente do Conselho e

Venerável Arcediago Centro

 

 

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Última atualização (Qui, 26 de Abril de 2012 09:56)

 


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