Quem Tem Direito a Decidir Sobre a Vida de Alguém? - +Bispo Evilásio Tenório
Reflexão Episcopal

Quem Tem Direito a Decidir Sobre a Vida de Alguém?
A página da nossa Diocese diariamente mostra o que está acontecendo pelo mundo. A cada dia vemos que os direitos de professar ou divulgar uma religião estão sendo cerceados em alguma parte deste planeta. Quando alguém insiste em declarar o que crê em termos religiosos, este alguém pode ser preso, condenado à morte ou mesmo assassinado por parentes ou vizinhos.
Por outro lado, a legislação de diversos países está fazendo com que exercer o direito de ter uma religião seja algo cada vez mais difícil e perigoso, pois o professar uma religião, antes de apenas declarar a sua fé, implica também em denunciar tudo que vá de encontro ao que o crente acredita como sendo um mandato divino, entre eles o direito à vida de todo ser humano.
Para o cristão, o mandato divino é disposto na Bíblia, que é considerada como a Palavra de Deus transmitida pelos seus profetas, evangelistas e pelo próprio Jesus.
No cristianismo, o ser humano é considerado um ser vivo desde a sua concepção. Já no Antigo Testamento o Salmo 139:16 nos declara: “Os teus olhos viram a minha substância ainda informe, e no teu livro foram escritos os dias, sim, todos os dias que foram ordenados para mim, quando ainda não havia nem um deles”.
Esta semana vivenciamos no Brasil o julgamento, pelo Supremo Tribunal Federal – STF, da “interrupção de gravidez de fetos anencéfalos” ou “antecipação terapêutica do parto”. Estes são neologismos tecnicamente bem elaborados para o que sempre se chamou de aborto.
A decisão foi de oito votos a favor e apenas dois contra a “interrupção” ou “antecipação do parto”. Esta decisão tem um caráter inusitado, pois nas palavras do Ministro Ricardo Lewandoski (um dos dois que votaram contra, sendo o outro o Presidente da Casa, o Ministro Cézar Peluzo): “a interrupção da gravidez de anencéfalos é aborto e não foi autorizado pelo Poder Legislativo, o que transformaria essa medida em um crime”.
Vemos, assim, que um Ministro declara que o que estão fazendo naquela casa é, nada mais, que um crime; enquanto a maioria dos seus colegas formaliza este mesmo crime. E aqui é que entra o testemunho de cada um de nós, irmãos e irmãs. Enquanto um Ministro da Suprema Corte declara em alta voz o erro que está sendo cometido, como é que nós, enquanto cristãos, agimos nestes últimos dias? Como temos nos posicionado? Será que temos denunciado os erros que as autoridades do mundo estão cometendo? Na verdade, irmãos e irmãs, muitos nem sequer sabiam o que estava ocorrendo em Brasília, “afinal temos muito mais com o que nos preocupar”.
Interessante que a Igreja professa a fé em Jesus Cristo, que, segundo a visão da sociedade da sua época poderia ter sido abortado, pois seria fruto de uma união ainda não estabelecida. Mas, Maria e José decidiram assumir integralmente aquele filho, mesmo com todos os riscos inerentes a este procedimento – Maria com o risco de ser apedrejada, conforme a legislação; e, José, o risco de ser ridicularizado. Foram em frente e permitiram o nascimento de Jesus, conforme anunciado pelo anjo. Imagine se tivessem feito um aborto? Qual seria a esperança do mundo hoje?
Segundo o site de notícias UOL no dia 13/04/2012, o casal Marcelo e Joana Croxato se postou em frente ao STJ com a sua pequena filha para se posicionarem contra a aprovação : “O julgamento encerrado nesta quinta-feira pelo STF (Supremo Tribunal Federal) colocou em evidência a história da menina chamada Vitória de Cristo, de 2 anos e 3 meses, levada pelos pais à Brasília com o objetivo de chamar a atenção de quem defende a interrupção da gravidez de Anencéfalos”.
Seus pais, Joana e Marcelo Croxato, ouviram dos médicos no início da gestação que a filha sofria de acrania (ausência do crânio), problema que poderia levar à anencefalia, uma vez que o líquido amniótico, em contato direto com os tecidos, vai corroendo o cérebro.
Embora tenha havido dificuldade em se confirmar a anencefalia no final da gestação por causa da posição em que o feto se encontrava, Joana conta que “sua filha sempre foi tratada como anencéfala, e esse foi o termo presente em praticamente todos os prontuários e exames realizados”.
O título da reportagem mostra que os médicos ainda não estão preparados para fazer o diagnóstico de anencefalia, o que significa que muitas crianças que não são anencéfalas correrão o risco de passarem pela “antecipação terapêutica do parto”. Em outras palavras, irão morrer por conta de um provável erro de diagnóstico.
Irmãos, a Igreja tem que estar atenta ao que se está fazendo no mundo, tem que se posicionar contra legislações desumanas e injustas que a pretexto de cuidarem da saúde da mãe na verdade estão decretando a vitória da morte sobre a vida, justamente poucos dias após a celebração do Domingo de Páscoa, em que comemoramos a vitória de Cristo sobre a morte.
Que o Senhor nos capacite a sermos propagadores de vida, que Ele nos torne mais dispostos a declararmos os erros deste mundo e declararmos como o apóstolo Paulo: “Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”.
+Dom Evilásio Tenório
Bispo Sufragâneo
Região Eclesiástica 2
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Última atualização (Sáb, 14 de Abril de 2012 16:21)
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