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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Artigos Clero Em Defesa da Vida e da Criação - Rev. Ivaldo Sales

Em Defesa da Vida e da Criação - Rev. Ivaldo Sales

Pensamento do Clero

 

Em Defesa da Vida e da Criação

Rev. Ivaldo Sales (¬)

Encerramos o ano de 2011 com mais uma semana de debates sobre mudanças climáticas em preparação da COP17, mas nenhuma alteração significativa foi divulgada da parte dos Estados Unidos, Índia e China a respeito do protocolo de Kyoto. Enquanto escrevo este artigo, fortes chuvas continuam assolando o Estado de Minas Gerais como reflexo da chegada do fenômeno La niña, ameaçando populações de regiões mais vulneráveis.

O desafio de realizar o mapeamento das áreas de risco das nossas Paróquias, Missões e Pontos Missionários é uma necessidade preponderante por diversos fatores, mas, principalmente, por fatores relacionados com as mudanças do clima por causa de suas sérias consequências.

 

As constantes tragédias provocadas pelas mudanças climáticas estão sinalizando que algo muito sério ainda está por vir, enquanto estamos mais preocupados em encher nossos templos de pessoas ou para “salvar suas almas” fortalecendo a ideia de uma religiosidade platônica (onde o que interessa é a alma, enquanto o corpo padece), ou para distraí-las com rituais vazios e carentes de conteúdos sólidos sobre a Teologia da Criação (tão brilhantemente exposta pelo bispo anglicano N.T. Wright em seu livro “surpreendido pela esperança”), com nossos mantras evangélicos: “oh, glória!” e “aleluia, meu pai”, no dizer de Karl Marx, entorpecendo o povo com o ópio da religião. Segundo Francis Schaeffer, utilizam-se palavras com conotações religiosas, mas desprovidas de conteúdo e significado. Expressões que os evangélicos costumam utilizar para demonstrar algum tipo de piedade, mas não passam de clichês religiosos que foram se popularizando por aí.

 

As mudanças climáticas têm a ver com o comportamento humano, com a emissão de gás carbônico que produzimos com nossos carros e motos, nosso lixo queimado, nossos balões voando no céu azul, provocando o tão conhecido efeito estufa.

 

A tragédia ocorrida ainda tão recentemente com o belíssimo templo da Igreja Presbiteriana dos Palmares, é apenas um reflexo do que ainda está prestes a acontecer em decorrência da mudança do clima. Quem poderia imaginar a possibilidade daquele calmo rio subir tanto, a ponto de inundar toda uma cidade? Quantos de nossos templos não estão sendo construídos em lugares inadequados, em áreas de deslizamentos e quedas de barreiras, inundações, enchentes e aterros de mangues? Será que temos noção da gravidade do que está para acontecer nos próximos anos? Quantas crianças e adolescentes não correm risco por causa da teimosia de se construir “templos” de qualquer jeito? Sem vistorias dos órgãos competentes, colocamos a vida de dezenas e centenas de pessoas em situação de vulnerabilidade física e emocional. É importante cuidar da beleza estética de nossos templos tanto quanto cuidar da engenharia estrutural e arquitetônica, pois também são formas litúrgicas que comunicam a beleza e a força do Deus-Criador, numa linguagem calvinista, manifestam “a glória de Deus!”.

 

A construção de templos evangélicos deve levar em consideração tanto a beleza estética quanto a segurança das pessoas que nele entrarão para adorar a Deus e buscar a comunhão de uns com os outros. As cores, a tonalidade, a marca da tinta, a decoração, a acústica, o espaço celebrativo precisam expressar o ambiente de culto Àquele que é digno de receber todo o louvor, honra e glória com inteligência.

 

Precisamos estreitar nossas relações com ONGs cristãs sérias como a Rocha, por exemplo, que trabalha com a sensibilização e a conscientização ambiental. Ali encontraremos profissionais que vieram da ABU desenvolvendo ações em defesa da vida e da criação com muita responsabilidade e competência.

 

A Defesa Civil é um órgão governamental muito importante para a segurança de nossas comunidades. È importante salientar que nossas Igrejas estão sendo construídas sem levar em consideração a comunidade na qual estão inseridas. O que muitos cursos de plantadores de igrejas não levam em consideração são os aspectos geográficos e socioambientais onde pretendem plantar suas Igrejas.

 

Será que estamos preparados para uma catástrofe, um furacão, uma avalanche de terra e lama, uma inundação provocada pelo avanço do mar, uma enchente provocada pelo estouro de uma de nossas barragens, um deslizamento de terra provocado pelo rompimento de cano de água que abastece a comunidade e se rompe, ou um incêndio provocado pela queda de balão, ou um curto circuito provocado pela queda de fio sobre barracos de lonas e madeiras?

 

Na verdade, estas coisas não estão na pauta de nossas reuniões de planejamentos, de nossos eventos diocesanos. Estamos acostumados a realizar nossos eventos sem considerar o que pode acontecer num templo superlotado, num espaço que foi construído para 200 pessoas e colocamos 500. Já vimos este filme antes!

 

Construir templos sem portas laterais que podem ajudar num caso de uma emergência é insanidade, segundo o Sermão do Monte. Poucos templos possuem extintores de incêndios e, quando têm, são poucos os membros capacitados para agir em caso de uma emergência. Portanto, um plano de emergência é imperativo para a segurança de nosso povo e de nossas comunidades. A Bíblia nos fala de um plano de emergência bem-sucedido, muito embora um grande número de pessoas pudesse ter sido salvo por ele se tivesse dado crédito aos apelos de Noé.

 

Jesus tem nos ensinado que os sinais de sua segunda vinda seriam precedidos de terremotos, catástrofes e muito sofrimento da natureza. E nós pregamos o tempo todo: ”Jesus vem, prepara-te!”. Mas, de fato, estamos preparando nosso povo para estes acontecimentos que precedem a Sua segunda vinda?  E, para que estas atividades (de preparação) sejam bem desenvolvidas, a parceria com o poder público (defesa civil e corpo de bombeiros) e ONGs (A Rocha, Asas de Socorro, Visão Mundial, Diaconia e Tearfund), são essenciais. Creio que o próprio Greenpeace tem uma grande contribuição a dar, muito embora as teorias de Richard Manning, tão presentes nesta Organização, não corroborem com todo o conteúdo das Sagradas Escrituras, tanto do AT quanto do NT. Mesmo assim, devemos considerá-lo um homem sério em suas proposições.

 

Outro dado importante deve ser a participação do Escritório Diocesano de Capelanias Anglicanas na formação de agentes capacitados para a pastoral da resiliência. Nas últimas chuvas ocorridas no inverno de Recife, quando fui acionado pelo Comitê de Emergência formado por comunitários do bairro de Nova Descoberta, em razão do deslizamento de várias barreiras que destruíram casas desabrigando diversas famílias, deparei-me com duas crianças de famílias diferentes, em traumas emocionais provocadas pela tragédia. Uma das crianças viu sua boneca ser soterrada pelos escombros de sua casa, o que a deixou em choque muito evidente. A família tinha medo de ter seus pertences saqueados por estranhos que assistiam a tragédia como quem assiste uma quebra de braço. Mesmo com a presença técnica da Defesa Civil, foi necessária uma intervenção pastoral para convencer a família a abandonar o local e buscar abrigo entre familiares e amigos, conforme orientação da Defesa Civil.  Neste sentido, o serviço de Capelania pode ser importante para contribuir com a Defesa Civil no convencimento às famílias que precisam deixar suas casas quando estas apresentam risco para suas vidas, especialmente quando estão envolvidas crianças pequenas. Não se trata aqui de a Igreja fazer o papel do Estado, mas de trabalharem em parceria, o que Francis Schaeffer tem denominado de Igreja como comunidade cobeligerante e o nosso Bispo Diocesano, Revmo. Dom Robinson Cavalcanti, chama de Agência de Transformação Histórica, apontando para os aspectos de sua participação integral na sociedade, inclusive nos aspectos políticos.

 

Possivelmente o papel do NOBEC poderia ter uma ampliação de ações que trouxessem outros benefícios, tornando a Igreja mais relevante na sociedade, a exemplo da proposta de nosso irmão anglicano Michael Green, em seu livro: “O Evangelismo que funciona”; e de outro anglicano, ainda mais conhecido no meio evangélico, John Stott, com sua proposta de “Discípulo Radical” e “Contracultura Cristã”.

 

Nesta perspectiva, crianças e adolescentes poderiam realizar atividades mais práticas e pró-ativas objetivando minimizar danos e prejuízos relacionados aos riscos das localidades, como se fosse uma brigada infantil num esforço de garantias mobilizadoras de ações em rede com o conjunto tanto das outras igrejas existentes na comunidade quanto da sociedade como um todo, em Defesa da Vida e da Criação.

 

Concluindo, gostaria de contar com o apoio e a participação ativa de todo o povo anglicano, especialmente dos que têm algum tipo de experiência nestas áreas: ambientalistas, engenheiros florestais, biólogos, geógrafos ou até mesmo leigos interessados no exercício das 5 Avenidas de Lambeth, para agendamento de uma primeira reunião quando formaremos um GT (Grupo de Trabalho).

 

No serviço de Cristo,

 



¬ Rev. Ivaldo Sales da Silva é Presbítero na Diocese do Recife; Assessor Diocesano para Defesa da Vida e da Criação; e membro da Ordem de Santo Estevão (OSE).

Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. / (81) 9231.7701 (Claro); (81) 9832.9438 (Tim); (81) 8406.4905 (Oi)

 

 

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Última atualização (Sex, 06 de Janeiro de 2012 13:54)

 


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