O Autoconhecimento - Rev. Luís Fernando Salgado
Pensamento do Clero

O Autoconhecimento
Rev. Luís Fernando Salgado (¬)
O homem, desde os primórdios da civilização, ou seja, da sua origem sempre se perguntou: Quem sou? De onde vim? Por que vim? Para onde vou? Ele busca na ciência, na Filosofia e na Religião respostas a estas indagações. Conforme ele vai se aprofundando nestes conhecimentos ou nestes campos dos saberes ele percebe que as três possuem parte das respostas. Elas não encerram o verdadeiro conhecimento e, sim, possuem parte dele. A nosso ver precisamos então das três para conhecer a verdade. Mas a verdade que se pode conhecer neste momento da nossa evolução espiritual.
O ser humano passa por processos evolutivos individuais e coletivos. Conforme esta evolução vai se dando, o homem e a humanidade vão tendo condições de conhecer cada vez mais. Com isso, o homem começa e consegue avanços no seu desenvolvimento pessoal e espiritual. Portanto, acreditamos que o homem vai evoluir pelo conhecimento, daí o filósofo Sócrates ter dito: “homem, conheça-te a ti mesmo e conhecerás o universo”. É pelo conhecimento, então, que se chega à verdade, e é por ela que o homem irá conhecer ao Criador, Deus.
O grande problema é que o homem, nos seus primeiros anos de vida (e isso é relativo de pessoa para pessoa), passa todo este tempo procurando a verdadeira felicidade, conhecimento na busca de Ter. Tudo está em função do que ele possui em torno da matéria. Ele acredita que nada é mais importante do que a matéria. Isso até um determinado momento da sua existência preenche de forma muito favorável estas suas expectativas. Ele vive de forma bem favorável. Claro que isso é uma falácia, uma grande ilusão. Ele só vai começar a se dar conta desta realidade quando começar a perceber a finitude da vida terrena. Aqui estamos nos referindo a um homem que está num processo evolutivo já mais adiantado (isso, infelizmente, não ocorre com todos ainda).
Mas, como ele passou até esta idade buscando no Ter a sua felicidade e realização, quando se depara com a realidade de que o importante não é o Ter, mas sim o Ser, aí descobre que esta dimensão do ser é bem maior e bem mais complexa, costuma muitas vezes entrar num estado deprimido. Este estado de depressão é, muitas vezes, comum devido ele perceber o quanto difícil é deixar para traz toda a matéria que ele acreditava que lhe daria realização e felicidade, e encarar agora o ser e poder se preocupar mais com a sua vida interna. O que eu construí como pessoa, o que possuo de positivo como ser humano.
Muitas vezes ou quase sempre vou me deparar com um vazio existencial, um vazio na alma. As coisas da matéria já não preenchem mais, mas também, ele não consegue se entregar às coisas do ser, do espirito. Ele é ainda muito apegado às coisas e às pessoas. Ele ainda pensa que depende das pessoas para ser feliz.
Uma outra coisa que este homem pensa é que o outro é o seu grande problema, que o seu sofrimento é causado por ele. Se ele resolver o outro ele se resolve. Por isso, ele passa a maior parte do tempo tentando mudar o outro e se esquece de mudar a si próprio. È aí que começa de novo o seu sofrimento, porque ele vai aos poucos perceber que o outro não muda, com isso percebe então que o seu próprio sofrimento é causado por ele mesmo. Ele irá sofrer cada vez mais porque não tem coragem de assumir que ele mesmo causou todo o sofrimento que possui até agora.
Enquanto o homem não entender que o outro não é o problema e, sim, ele mesmo continuará neste sofrimento. O homem então deverá descobrir que o verdadeiro segredo da felicidade ou do autoconhecimento está em ele ir descobrindo a verdade que está dentro dele, mas que de alguma forma está adormecida. Ele precisa descobrir a entrar em si para encontrar-se com sua verdadeira essência, onde Deus reside e a ele se mostra. Por isso que grandes mestres da humanidade diziam que o homem só conhecerá a Deus quando se conhecer em primeiro lugar. Defendemos, então, que o conhecimento é que levará a evolução.
E a maior fonte de conhecimento que conhecemos é a Sagrada Escritura Cristã. Nela o Espírito Santo de Deus inspirou, orientou homens a como devemos viver e agir para este processo. Cristo, Nosso Senhor através de sua vida, de seus ensinamentos e de sua morte na cruz nos mostrou como o homem conseguirá chegar a este nível de evolução. Salvação pressupõe entrega total ao plano de Deus e Cristo realizou a maior entrega total ao plano de Deus dando, assim, ao homem, a possibilidade de retorno à casa do Pai.
O Quadrilátero Lambeth nos diz: As Santas Escrituras do Antigo e Novo Testamentos, como “contendo todas as coisas necessárias para a salvação”, e como sendo a regra e o padrão final de fé.
Este padrão final de Fé, entendemos como este processo evolutivo, esta nova forma de ser e agir. É com base neste conhecimento que a humanidade irá se libertar de todos os seus problemas. A verdadeira felicidade e paz se darão.
¬ Rev. Luís Fernando Salgado (Nobile) é Presbítero na Diocese do Recife; Ministro Encarregado do Ponto Missionário Anglicano Cristo Redentor, em Ribeirão Preto (SP), integrado ao Arcediagado Sul-Sudeste.
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Última atualização (Qui, 05 de Janeiro de 2012 10:40)
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