A Vontade de Deus (Parte Final) - Ven. Arc. Rev. João Peixoto
Pensamento do Clero

A Vontade de Deus (Parte III)
Ven. Arc. Rev. João Peixoto (¬)
Para responder à pergunta sobre como saber a vontade específica de Deus para nós, que não seja através das Escrituras, precisaríamos de muito mais tempo e espaço do que esta breve série de artigos. Livros, uns mais simples e outros mais complexos; uns mais referendados e outros nem tantos; uns mais populares e outros mais desconhecidos existem em grande variedade dando tratamento ao tema. Apresentamos aqui um breve e equilibrado roteiro prático que pode nos ajudar. Trata-se de uma síntese do ensino de Stott, que eu chamaria de “os cinco verbos para saber a vontade de Deus”. Pensando sobre o tema, Stott faz referência a cinco palavras (verbos) que se constituem em guia seguro para tal fim. Desde já ressaltamos que, em se tratando de verbo, há necessariamente uma ação de nossa parte que nos é requerida para atingir nosso objetivo. São eles:
1) CEDER (ou dar lugar) – Necessária a cessão ao propósito de Deus em nossa vida. Ensina Stott que “uma vontade que não se rende é o mais sério de todos obstáculos para se descobrir a vontade de Deus”. O salmista nos alerta que Deus “guia os humildes na justiça e ensina aos mansos o seu caminho” (Sl 25.9). Deus revela a sua vontade a quem está disposto a acreditar nela e a fazê-la;
2) ORAR – Deus nos revela Sua vontade quando expressamos através de nossas orações o desejo de conhecê-la. Sempre válido o ensino de Jesus: “Pedi e dar-se-vos-á” (Mt 7.7);
3) FALAR - Exortar uns aos outros, aconselhar uns aos outros são alguns dos muitos mandamentos de mutualidade da vida cristã que o Senhor nos incentiva a praticar. Se temos dúvidas sobre como proceder em determinadas situações, que sejamos humildes e sábios em buscar conselhos com quem pode dá-los, afinal “com os que se aconselham se acha a sabedoria” (Pv 13.10);
4) PENSAR – Stott ensina que Deus “...nos guia por meio da mente que nos deu e que nos possibilita pesar cuidadosamente, em cada situação, os prós e os contras”. E nestas ponderações fundamental é refletir não apenas nas conseqüências de nossos atos mas principalmente sobre a adequação de determinadas decisões aos princípios gerais (vontade geral) emanados das Escrituras;
5) ESPERAR – Em muitos casos a decisão a ser tomada é iminente ou dispõe de curto prazo para decidir de forma mais segura. Porém, há situações em que não há prazo ou este é indefinido e aí, o melhor, é esperar para que possamos tomar uma decisão que nos traga uma certa paz interior, que nos confirme o acerto da escolha. Fica aqui o alerta de Stott: “...cometem-se muito mais erros por causa da precipitação do que de protelação”.
Como orava Paulo dirigindo-se aos colossenses, assim também desejo que Deus vos faça “transbordar de pleno conhecimento da sua vontade, em toda a sabedoria e entendimento espiritual” (Cl 1.9)
¬ Rev. João Peixoto de Siqueira Filho é Presbítero na Diocese do Recife; Coadjutor da Paróquia Anglicana Emanuel, em Olinda (PE), e Venerável Arcediago Norte da Diocese.
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Última atualização (Sáb, 22 de Outubro de 2011 09:50)
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