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 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

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Home Artigos Clero Nossa Herança da Reforma - J. I. Packer

Nossa Herança da Reforma - J. I. Packer

Pensamento de um Teólogo

 

 

 

Nossa Herança da Reforma

J. I. Packer ( [i])

 

A palavra reforma é mágica para meu coração, assim como sei que é para o seu. Dizemos reforma e imediatamente pensamos naquela época heróica do século dezesseis em que tantos eventos portentosos se deram que ainda chamejam em nossa imaginação. Pensamos, por exemplo, em Martinho Lutero pregando suas noventa e cinco teses na porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, desafiando, conforme transpareceu, todo o sistema religioso do seu tempo. Pensamos em Lutero em Worms uns anos após, enfrentando o sagrado imperador romano e sendo ordenado a retirar seus desafios e seu testemunho da justificação pela fé.

 

A resposta famosa que deu ao imperador, aos nobres e aos dignitários eclesiásticos da Europa central foi essa: “A não ser que os senhores me provem pela Escritura e pela razão que eu estou errado, não poderei e não me disporei a voltar atrás. Minha consciência está sujeita à Palavra de Deus. Ir contra a consciência não é direito nem seguro. Aqui fico. E que Deus me ajude. Amém”. Essas palavras magníficas têm ecoado até nós através dos séculos, e com justiça.

 

Lutero manteve-se firme em sua fé. Traduziu a Bíblia para o alemão e pregou e escreveu incansavelmente para difundir a mensagem do evangelho. Tornou-se o pioneiro da reforma. Seu nome certamente será honrado enquanto durar a História.

 

Lembramo-nos também de João Calvino, aquele erudito recatado que só queria ser um homem de letras que estivesse lendo e escrevendo livros durante a vida inteira. Mas o feroz Guillaume Farel de barba ruiva lhe disse que ele precisava se estabelecer em Genebra para ali tomar parte no trabalho da Reforma, e ele fez isso. Com apenas quatro horas de sono por noite, não só pregava sermões diariamente e se desincumbia de suas responsabilidades pastorais, como também labutava com a caneta, produzindo entre outras obras-primas as Institutas, essa grande declaração cristã que para muitos de nós ainda está numa classe à parte. Também escreveu comentários sobre a maioria dos livros da Bíblia, estabelecendo novos e elevados padrões de exposição fiel. Calvino faleceu aos cinquenta e cinco anos, completamente esgotado — outro dos heróis de Deus.

 

Também nos vem à memória João Knox, obrigado a passar uns dois anos como escravo remador de galé por causa de suas atividades como reformador, e finalmente recompensado por algumas semanas extraordinárias durante as quais praticamente toda a Escócia aderiu à Reforma. De um dia para outro a Escócia tornou-se a nação tenazmente protestante que tem sido desde então.

 

Os mártires ingleses também nos vêm ao pensamento. Pelo mérito destaca-se em primeiro lugar William Tyndale, que desafiou o rei traduzindo a Bíblia. E acabou condenado à fogueira na Bélgica porque Henrique VIII alertou a Europa toda de que ele precisava ser morto.

 

Depois houve Thomas Cranmer, o arcebispo de Henrique em Cantuária, que aguardou até ser possível produzir uma confissão de fé reformada e um livro de orações reformado para a Igreja Anglicana. Mas cedo demais Eduardo VI, seu patrocinador real neste empreendimento, morreu, e Mary tornou-se rainha. Ela decidia levar a Inglaterra de volta à Roma. Mandou à fogueira uns 330 protestantes ingleses, incluindo cinco bispos — e Cranmer foi um deles. Jogaram-no na prisão, onde ele foi colocado sob pressão intolerável — hoje daríamos a isso o nome de lavagem cerebral. Por causa da pressão extrema, Cranmer retratou-se de suas convicções protestantes, assinando seis documentos nesse sentido poucos dias antes de morrer na fogueira. Tinham-lhe dito que se assinasse seria perdoado. Quando descobriu no dia seguinte que seria queimado vivo assim mesmo, passou a noite em claro retratando-se por escrito daquela primeira retratação. Leu isso em voz alta na Igreja de Saint Mary, em Oxford, na presença de seus acusadores estupefatos, que logo apressaram sua saída para a fogueira. Morreu estendendo a mão direita às chamas, assim cumprindo uma promessa daquela sua última fala: "E posto que minha mão ofendeu, escrevendo contrário a meu coração, minha mão será punida primeiro por isso; pois seja eu levado ao fogo, será queimada primeiro".

 

Estes casos de heroísmo cristão continuam vivos, assim como continuam preciosas as verdades pelas quais esses reformadores viveram e morreram. Então quando dizemos a reforma, naturalmente pensamos nos eventos e damos graças a Deus por eles. As riquezas de sabedoria entesouradas na teologia dos Reformadores são mais do que já temos dominado hoje, e a força altruísta do testemunho à verdade desses Reformadores nos é uma inspiração constante. É deles a fé pela qual eu vivo e pela qual espero morrer, e eu confio que isto seja verdade para você também. Graças a Deus pela Reforma!



[i] James Innell Packer teólogo anglicano e professor de teologia no Regent College, em Vancouver, Canadá. Foi editor da Revista Christianity Today e membro do Comitê de Novas Traduções da Bíblia.

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Última atualização (Sex, 12 de Agosto de 2011 12:21)

 


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