Início da Década: Não Há Portas Fechadas! - Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto
Pensamento do Clero

Início da Década: Não Há Portas Fechadas!
Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes (*)
Ao iniciar esta nova década, começamos a meditar sobre o que as Escrituras Sagradas nos falam sobre a porta: aberta, a porta deixa passar, entrar e sair. É sinal de abertura, livre circulação. Portas abertas simbolizam: acolhimento, hospitalidade, oportunidade, união. Fechada, ela impede a passagem. É sinal de clausura, impossibilidade de circulação. Portas fechadas simbolizam: proteção, recusa, medo, separação.
A cidade, cercada de muros, guarda a entrada por uma porta fortificada: fechada aos inimigos e aberta aos amigos. É o lado positivo da porta: garantir a segurança e possibilitar a vida em comunidade. É à porta que se estabelece parte da vida: encontros, comércio, discussões políticas, partidas para guerra, julgamentos. A porta da cidade é sinal de justiça, vida e segurança. Porta é uma metonímia da cidade e seu poder, por isso, a expressão apossar-se da porta é o mesmo que tomar a cidade (Gn 22.17).
As portas do sheol (local dos mortos) são as da morte. Falam do poder da morte, mas destacam o poder de Deus, que conhece este caminho misterioso e tem poder sobre esta porta. Ele é, também, o Senhor das portas do céu. Ao abri-las desce o maná, a chuva, a bênção para a terra cultivada. Deus abriu esta porta a Jacó, que disse: “a Casa de Deus é a porta do Céu”.
As portas do céu abriram-se em Cristo, no batismo, tornando-se Ele a Porta do Céu. Ele denomina-se de A Porta das Ovelhas. É o nosso acesso ao céu, nossa segurança, nossa possibilidade de viver em comunidade. Ele determina quais portas se abrem ao Evangelho. Garantindo-nos que as portas do inferno não prevalecem sobre a Igreja. A Ele foram dadas as chaves de Davi (Ap 3.7), capaz de abrir a porta estreita que dá para a vida e a salvação (Lc 13.24). Apoderou-se das chaves da morte e do inferno (Ap 1.18) vencendo o mal e dando à Igreja poder maior que as potestades malignas. Para a Igreja não há portas fechadas, somente abertas. Ela não teme o mal e sua atuação. Antes, ela arromba, até mesmo, as portas do inferno, resgatando vidas para que entre pelas portas da Cidade Santa, a Nova Jerusalém, quando Deus há de ser tudo e em todos.
Lembre-se de guardar a porta do seu coração para que se fechem à maldade, maledicência, mentira, soberba, vã glória, e estejam abertas ao bem da Palavra de Deus. Prossigamos, assim, nesta nova década, para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo Jesus.
* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; Venerável Arcediago Sul-Sudeste do Brasil; Frei da Ordem Franciscana Anglicana (OFA).
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Última atualização (Ter, 04 de Janeiro de 2011 09:45)
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