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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

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Igreja e Missão - Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto

Pensamento do Clero

Igreja e Missão

                                                 Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes (*))

Aprendemos das Escrituras que, após a ressurreição de Jesus Cristo, o ato sequente  é o surgimento da Igreja. Isso não é um ato cronologicamente acidental. A Igreja é parte integrante da ressurreição de Cristo. Ela é a consequência inevitável da Ressurreição. Não é somente a sua história sequente, mas sua história consequente. Ela é o ato complementar da ressurreição. Por isso Paulo diz: se Cristo não ressuscitou é vã a nossa pregação e vã a vossa fé (I Co 15:14). Ora, se a fé da Igreja é vazia e destituída de sentido sem a ressurreição de Cristo, assim, também, a ressurreição do Senhor ganha plenitude e real significado a partir da Igreja e de sua fé no Ressuscitado.

 

Como um fato testemunhado pela fé da Igreja a Ressurreição é, também, um símbolo da vitória da vida sobre a morte, como diz Paulo, repetindo o antigo cântico da Igreja primitiva: tragada foi a morte pela vitória (I Co 15:54). A morte e suas misérias estão escatologicamente vencidas. A partir da Ressurreição a história caminha inexoravelmente para a vitória final, a superação total da morte e suas misérias, quando Deus será tudo em todos.

 

A Igreja e a Ressurreição são realidades correlatas. Ora, se a história aponta na direção da vitória da vida sobre a morte, esta vitória se concretiza, dia a dia, na luta da Igreja em favor da vida, do ser humano, do Evangelho, na superação das injustiças, das rupturas, da dor, da morte e de todas as suas inumeráveis misérias. A Igreja é, pois, Igreja Triunfante, pois vive do triunfo de Cristo sobre a morte: ela sabe o sentido da história, conhece os motivos de suas esperanças, não lhe é oculto o destino final e sabe que a glória por vir nem se compara à hora presente.

 

A Igreja também sabe que o Ressuscitado, Aquele que venceu a morte, é o mesmo  que foi vencido pela maldade humana. O Glorioso vencedor é o Crucificado. Provou a Cruz justamente por causa da Sua fidelidade ao Pai, que outra coisa não era, senão, fidelidade à causa do ser humano, sua felicidade, seu bem. Jesus só foi crucificado porque não se desviou da missão: permaneceu como Servo dos homens, tornando-se um homem de dores e que sabe o que é padecer. Ele lutou para que tivéssemos vida, e provou a morte; para que provássemos um pouco de ternura e docilidade, e conheceu a brutalidade e a violência; para que não houvesse cruz, e carregou sobre as costas a cruz que lhe impusemos. Não só da glória do Ressurreto vive a Igreja, mas da luta do Crucificado. Esta é a sua missão. Por isso, a Igreja Triunfante é, antes de tudo, a Igreja Militante. A igreja é, pois, ministro de Deus. Na medida em que caminhamos triunfantes na história, sabemos que nosso caminho é de luta. Se aguardamos a Ressurreição, é porque, experimentando a Cruz, permanecemos com Cristo ao lado do Pai.

 

Por outro lado, quando os discípulos de Cristo se reúnem, o que os une não é simplesmente o que trazem. O que os chama e os une é algo novo. Vêm por causa do que há de novo e em vista deste algo novo: a nova criação de Deus em Jesus Cristo pelo Espírito Santo. Por isso, a comunidade não é a soma de seus membros. É Jesus Cristo que atrai a si mesmo tudo o que os membros trazem. A razão da comunidade não são os membros, suas idéias, suas aspirações, suas capacidades, seus projetos. A razão da comunidade é Jesus Cristo. Por isso a comunidade não vem do mundo, mas de Deus  Pai mediante sua nova criação.

J. Comblin

 


* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; e Venerável Arcediago Sul-Sudeste do Brasil.

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Última atualização (Dom, 05 de Setembro de 2010 22:51)

 


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