Qual é o Grande Mandamento? - Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto
Pensamento do Clero
Qual é o Grande Mandamento?
Ven. Arc. Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes (*)
Ângelus Silésios, um místico cristão medieval dizia que o amor é como a rosa: “A rosa não tem ‘porquês’. Ela floresce porque floresce”. Deve ser por isso que Carlos Drummond de Andrade escreveu um lindo poema intitulado As Sem-Razões do Amor, onde dizia: “Eu te amo porque te amo... – sem razões... Não precisas ser amante, e nem sempre sabes sê-lo. Meu amor independe do que me fazes. Não cresce do que me dás. Se fosse assim ele flutuaria ao sabor dos teus gestos. Teria razões e explicações. Se um dia teus gestos de amante me faltassem, ele morreria como uma flor arrancada da terra”.
O poeta falava do amor de um casal, mas o seu fundamento é o mesmo para todo o tipo de amor. Ele entendeu a essência do amor do qual fala nosso Senhor, quando diz que devemos amar a Deus, sobre todas as coisas, e ao próximo como a nós mesmos. Este amor está acima dos gestos e dos sentimentos e não pode reduzir-se a estes. Caso contrário nunca existiria e jamais se sustentaria.
O problema é que depois do Séc. XIX, com o movimento intelectual chamado Romantismo, acabamos por reduzir o amor aos sentimentos. Julgamos que amar é sentir, é ter afetos, carinhos e outros sentimentos e gestos similares. Fica realmente muito difícil ter afetos e sentimentos por meros desconhecidos e por pessoas que nunca vimos. A redução do amor no romantismo tornaria esdrúxulo o Grande Mandamento.
Amar a Deus é, em última análise, obedecer-Lhe. Amar ao próximo é cumprir os mandamentos de Deus para com o nosso semelhante. Amar, mesmo ao estranho, é desejar para ele a mesma coisa que desejamos para nós e, no que depender de nós, agir para com ele de sorte que tenha para si tudo aquilo que temos, desejamos e almejamos para nós mesmos.
Este tipo de amor jamais deve morrer, nunca pode fenecer e jamais passará. Este é o Grande Mandamento que nos pede e exige Deus e, cumpri-lo, nada mais é do que amar a Deus sobre todas as coisas. Amemo-nos, pois, uns aos outros!
* Rev. Carlos Alberto Chaves Fernandes, ofa, é Presbítero da Diocese do Recife; Pároco da Paróquia Anglicana da Santíssima Trindade, em Copacabana, Rio de Janeiro; e Venerável Arcediago Sul-Sudeste do Brasil.
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Última atualização (Sex, 03 de Setembro de 2010 12:06)
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