Aprendendo os Conselhos do Senhor - Rev. Maurício Amazonas
Pensamento do Clero

Aprendendo os Conselhos do Senhor
Rev. Maurício Amazonas, ose (¬)
O povo de Israel sempre se manteve dentro do costume tradicional de observar os conselhos e ensinamentos das pessoas mais velhas. O Antigo Testamento possui uma secção de livros especializados em conselhos práticos. São os Livros Sapienciais. Entre eles estão os livros de Jó, Provérbios e Eclesiastes. O Cânon Latino tem ainda os livros de Sabedoria e Eclesiástico. A Literatura Sapiencial é caracterizada por composições de pequenas frases condensadas de sabedoria e conselhos práticos, testados e aprovados pela experiência e observações empíricas dos conselheiros. São “sentenças que ajudam a compreender e a encontrar uma saída nas diversas situações enfrentadas” pelas pessoas mais simples e comuns.
Mas essa literatura também pode servir de reflexão aprofundada sobre o sentido da vida, da morte, da justiça social; sobre o mal e acerca da natureza das coisas (Vide Bíblia Pastoral, p.638). Os provérbios podem nos fazer aprender a partir da ironia e do riso. Vejamos alguns exemplos: “Mais vale um cão vivo do que um leão morto” (Ec 9.4). “É melhor ser pobre e ter um sono tranquilo, do que ser rico e perder o sono” (Ec 5.12). “O resultado de um cego guiando outro, é que ambos cairão num buraco!” (Mt 15.14). As pessoas dão uma risadinha e depois param para refletir.
Aqui no Brasil, também nós temos a tradição dos conselhos e provérbios. São os chamados adágios ou ditados populares. Apresentam-se em forma de pequenas cápsulas de sabedoria. Por exemplo: “Quem não ouve conselhos, raras vezes acerta”. Ou ainda: “Se conselho fosse bom, não se dava: vendia-se”.
Conforme pesquisa antropológica, todas as culturas conhecidas têm o seu adagiário popular. Ou seja, não há povo que sobreviva sem os conselhos dos mais antigos. Isso é positivo, pois demonstra que é possível aprender com a acumulação da experiência coletiva. Assim, as novas gerações não precisam repetir os mesmo erros cometidos por seus ancestrais. Conhecendo a história, pode-se fazer deduções inteligentes, melhor vivendo no tempo presente e programando o futuro da civilização.
É por causa dessa possibilidade que, como Igreja do Senhor Jesus Cristo, ainda permanecemos na tradição dos ensinamentos dos santos Apóstolos, dos Pais da Igreja e dos Reformadores do Século XVI. Embora a história deles não seja um corolário de perfeição, aprendemos também com os seus equívocos. Como eles, também nós cremos que o Espírito nos conduz e nos “guia em toda a verdade” (Jo 16.13).
Que o Espírito Santo nos oriente a “examinar de tudo e reter o bem” (1Ts 5.21).
¬ Rev. Maurício Amazonas, ose é Presbítero na Diocese do Recife; Vigário-Geral Diocesano, Pároco da Paróquia Anglicana Jardim das Oliveiras, no Arcediagado Sul, em Recife-PE.
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Última atualização (Qui, 02 de Setembro de 2010 12:33)
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