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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS,

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA COM

O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

 

 

REVMO. EVILÁSIO TENÓRIO JR.

BISPO-ELEITO / 2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

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Preparando o Sermão - Rev. Ivo de Oliveira

Pensamento do Clero

Preparando o Sermão

Ivo Xavier de Oliveira (*)

 

Preparar um sermão não é tão simples como se costuma pensar, pois este constitui, juntamente com toda liturgia, uma ação sacramental. Cada sermão deve ser o resultado de um minucioso preparo por parte daquele que se propõe a fazê-lo, pois este estará comunicando não a si próprio, mas a Palavra de Deus aos homens de hoje. O pregador deve conscientizar-se que a unção vem d’Ele  e que ele é apenas um instrumento nas “mãos” de Deus.

 

O que cativa a assembleia é a riqueza do conteúdo do sermão, o carisma do pregador, a coerência da pregação com a realidade dura e sofrida daquele que busca a palavra de Deus.

 

O primeiro passo a ser dado por quem está encarregado dessa santa incumbência passa pela exegese do texto bíblico, ou seja, pela compreensão do texto (fazer perguntas ao texto, analisá-lo, expô-lo e interpretá-lo). Reifler[1] apresenta dez passos didáticos que certamente ajudará os futuros pregadores:

 

1 – Leia o texto em voz alta e em espírito de oração várias vezes, comparando-o com versões bíblicas diferentes para obter uma maior compreensão de seu conteúdo.

2 – Reproduza o texto com suas próprias palavras, sem olhar na Bíblia, para verificar se realmente entendeu o conteúdo.

3 – Observe o contexto imediato e o remoto.

4 – Verifique a forma literária do texto (história, milagre, parábola, ensino, advertência, promessa, profecia, testemunho, oração, introdução, etc.) e tente estruturá-lo.

5 – Determine o significado exato de cada palavra básica, com sua origem e seu uso pelo autor e no restante do testemunho bíblico.

6 – Anote peculiaridades do texto (palavras que se repetem, contrastes, sequências, conclusões, perguntas, teses) e faça uma comparação sinótica caso o texto pertença aos evangelhos.

7 – Pesquise as circunstâncias históricas e culturais (época, país, povo, costumes, tradição).

8 – Elabore as mensagens de cada versículo ou termo principal por meio de versículos paralelos (em palavras e assuntos), de seu núcleo, de sua relação com a história da salvação, de perguntas didáticas (quem, o que, por que, etc.) e de comentários bíblicos, léxicos, dicionários e manuais bíblicos.

9 – Estruture o texto conforme seu conteúdo principal e organizador e suas seções secundárias.

10 – Resuma o trabalho exegético feito até este ponto com a frase: “O assunto mais importante deste texto é...”.

 

Assim, feito todo esse trabalho, o sermão deve ser fracionado com uma introdução, um corpo (a mensagem propriamente dita) e uma conclusão.

 

O TÍTULO

O título é o assunto do sermão e este decorre do Evangelho do dia (exemplo: Cristo o Bom Pastor). É uma nomeação do tema a ser desenvolvido no sermão. O tempo litúrgico permite ao ministro uma pluralidade de títulos durante o ano.

 

O título deve ser suficientemente claro para dar ao leitor uma ligeira compreensão da área de conhecimento do assunto, do tema, do fato, que será abordado a seguir. Ao mesmo tempo ele pode ser inusitado, de tal forma que possa despertar um interesse no sentido de satisfazer a curiosidade do leitor.

 

COMEÇO (EXÓRDIO)

A introdução tem como objetivo anunciar o assunto, oferecendo uma visão geral de modo que os ouvintes possam participar da apresentação de maneira lógica e total, tendo a ideia de como será desenvolvido, é o ponto de partida. A importância deste primeiro momento está em despertar a atenção da assembleia. Cabe ao ministro captar a simpatia da assembleia de forma a aguçar o seu interesse e a sua curiosidade.

 

O exórdio deve sempre ser cuidadoso, engenhoso, alimentado de pensamentos, ornado de expressões justas, sobretudo, bem apropriado à causa. É o exórdio que dá uma ideia do resto do discurso e lhe serve de recomendação; é preciso, pois, que ele encante logo e ganhe os ouvintes[2].

 

O pregador deve utilizar a introdução como um primeiro momento de saudação aos fiéis, por isso o uso do vocativo “meus irmãos e minhas irmãs” ou “caríssimos irmãos e irmãs”, é mais respeitoso, pois é uma forma de tratamento adequado ao ambiente religioso constituído por um público heterogêneo. Se na celebração houver autoridades presentes, esta saudação deverá adquirir um caráter mais formal[3], saudando-as e agradecendo sua presença.

 

Não é apropriado iniciar a introdução com: piadas, perguntas, pedindo desculpas, tomando partido sobre assuntos polêmicos ou controvertidos, palavras inconsistentes, com chavões ou frases feitas[4].

 

O tempo de duração de um sermão dominical geralmente gira em torno de 10 a 15 minutos, neste caso o tempo gasto na introdução não poderá ultrapassar mais de que 20 % do total de tempo.

 

Segundo Polito[5], as formas mais indicadas para iniciar um discurso são:

 

PARA CONQUISTAR A SIMPATIA

Elogiar honestamente os ouvintes;

Corresponder à expectativa da plateia na maneira de se vestir e de demonstrar envolvimento com o tema tratado;

Falar de maneira simples e natural, sem afetação ou arrogância.

 

PARA CONQUISTAR A ATENÇÃO

Usar frases ou informações que provoquem impacto;

Narrar um fato interessante e curto;

Aproveitar um acontecimento do ambiente e transformá-lo num fato bem-humorado;

Levantar uma reflexão para que comecem a pensar sobre o assunto;

Mostrar as vantagens e os benefícios que o assunto proporcionará.

 

MEIO: O CORPO DO SERMÃO

O desenvolvimento das ideias ou o corpo do sermão é a sequência lógica da mensagem, é a argumentação propriamente dita que confirma a tese proposta na introdução. Este é o momento em o ministro explica, ou seja, torna evidente o que estava implícito nos textos bíblicos, discute (compara) os textos e demonstra a validade da mensagem de Jesus. Não é um momento para improvisações, pois o desenvolvimento supõe pesquisa sobre os textos lidos. Podemos dizer que o trabalho de pesquisa ajuda o ministro a decompor o assunto de tal forma que as dificuldades de compreensão possam ser superadas, tornando o texto mais compreensível na sua comunicação. Como apoio às nossas argumentações podemos nos servir de alguns elementos, como exemplos, comparações, testemunhos, ilustrações, etc. Estes elementos ajudam o pregador a desenvolver suas ideias e fazer a interpretação e a aplicação das leituras bíblicas para os dias atuais.

 

CONCLUSÃO

A conclusão é a parte final do sermão, porém a mais delicada, pois exige do ministro um esforço mental sintético, em que este reafirma a ideia central da homilia. Os fiéis devem estar convencidos da mensagem cristã e prontos a abraçá-la.

 

Infelizmente muitos ministros finalizam um sermão com um “louvado seja Nosso Senhor Jesus Cristo”, como se essa frase finalizasse o assunto.

 

A conclusão não pode ser improvisada, pois esta constitui parte da argumentação. Neste sentido o ministro deverá demonstrar que a mensagem de Jesus é válida e verdadeira para todos os tempos.

 

A conclusão não marca o fim da mensagem, é ponto de chegada, como a introdução é ponto de partida. É na conclusão que se marca e impressiona a assembleia. Daí a necessidade de considerar na conclusão: a recapitulação e o epílogo. Assim, na recapitulação temos que ter uma capacidade de sintetizar o que falamos numa frase ou duas no máximo, por isso podemos dizer aos fiéis que estamos concluindo.

 

No epílogo, fechamos o assunto, de forma a apelarmos mais para a emoção do que para a razão. Neste momento, até nosso tom de voz deve ser de conclusão.

 

APELO

A Eucaristia é ponto de chegada e de partida, daí a importância do apelo como um convite a ação-missão. Não é muito comum em nossas liturgias o ministro encerrar o sermão com um apelo. Mas este constitui, a nosso ver, o fim precípuo de toda a pregação.

 

O apelo deve marcar a chamada à conversão (de alguma forma ou de alguma espécie). É para ele que tende tudo que o antecedeu na pregação. Se a conclusão ou o “fim” do sermão foi bem elaborado, a tarefa do “apelo” se torna clara, objetiva e mais fácil.

 

O apelo é o momento mais importante da mensagem, é a razão de ser da pregação evangélica: basta ver em Atos 2,37-40, o exemplo típico disso.

 

Quando ouviram isso, ficaram com o coração compungido e perguntaram a Pedro e aos outros apóstolos: “Irmãos, que devemos fazer?” Pedro respondeu: “Convertei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo, para o perdão dos vossos pecados. E recebereis o Dom do Espírito Santo. Pois a promessa é para vós e vossos filhos, e para todos aqueles que estão longe, todos aqueles que o Senhor, nosso Deus, chamar”. Com muitas outras palavras ainda, Pedro lhes dava testemunho e os exortava, dizendo: “Salvai-vos desta geração perversa!”.

 

Por meio do apelo o ministro estimula os ouvintes a assumir atitudes concretas diante da comunidade. O apelo pode ser dirigido aos fiéis em forma de convite ou sugestão para se prestar auxílio para alguma necessidade da comunidade. A falta de qualquer espécie de apelo em nossas pregações se deve à cega ilusão de que o mundo é católico e que está assentadamente convertido em franco processo de construção do Reino.



[1] REIFLER, Hans Ulrich. Pregação ao alcance de todos. São Paulo: Vida Nova, 1999.

 

[2] Edivaldo BOAVENTURA. Como ordenar as ideias. 8ª ed. São Paulo: Ática, 2003, p.11.

[3] Os pronomes de tratamentos adequados às autoridades são indicados mais no final do texto.

[4] Mais detalhes sobre as introduções que devem ser evitadas, ver Reinando POLITO. Assim é que se fala: como organizar a fala e transmitir idéias. 24 ed. São Paulo: Saraiva, 2003

[5] Reinaldo POLITO. Um jeito bom de falar bem: como vencer na comunicação. 7 ed. São Paulo: Saraiva, 2001



* Rev. Ivo Xavier de Oliveira, é Presbítero da Diocese do Recife; Ministro Encarregado do Ponto Missionário Anglicano da Transfiguração, em Mogi das Cruzes, SP; Arcediago Adjunto do Arcediagado Sul-Sudeste do Brasil; Mestre em Ciências da Religião pela PUC/SP, professor universitário e autor também dos livros: Comunicando a Palavra de Deus, Ed. A Partilha, MG, 2006 e Igreja Universal do Reino de Deus: uma instituição inculturada? São Paulo: Pulsar, 2004. Contato: Este endereço de e-mail está protegido contra spambots. Você deve habilitar o JavaScript para visualizá-lo. .

 

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