Reflexões Sobre a Vida de Igreja - Rev. Luis Fernando Silveira
Pensamento do Clero
Reflexão-Testemunho

Reflexões Sobre a Vida de Igreja
Rev. Luis Fernando Silveira (¬)
Atualmente estou lendo o livro “Batismo e Plenitude do Espírito Santo”, do Rev. John R. W. Stott (Ed. Vida Nova, 1993) e fiquei impactado com uma frase do nosso reverendo anglicano: “Para onde quer que olhemos na Igreja, hoje em dia, há uma carência evidente de uma obra mais profunda do Espírito Santo”. Particularmente, gostaria que o Rev. Stott estivesse equivocado em sua assertiva. Todavia, preciso vencer meu “orgulho ferido” e reconhecer minha inocência teológica no que tange às “manifestações pneumáticas” e aceitar que a maioria delas (eu disse a maioria !) se enquadrariam nas patologias psiquiátricas, nas disfunções hormonais ou nos meandros da alma do ser humano (alma cada vez mais doente, orgulhosa e afastada do Espírito de Deus) que gosta de “brincar” com “palavras mágicas” do tipo: “Assim diz o Senhor”...
Neste mês faço 40 anos de idade, sou filho e neto de pastores da Assembleia de Deus (Igreja de minha infância e adolescência). Fiz parte de outras famílias confessionais até chegar à Diocese do Recife, e posso relatar que nesta minha caminhada pude perceber muitas “ações divinas”, “mensagens de anjos” e “anúncios proféticos” que consistiam desde recomendações sobre quantas vezes um casal deveria de ter relação até com quem se deveria casar ou não casar. Lembro-me da época em que nossa juventude se dirigia para o monte (qualquer montanha perto da Igreja) para o recebimento de “unção dobrada do Espírito” sempre pelo intermédio de uma irmãzinha “apostolicamente ungida” dentre tantas e tantas outras aberrações que à época achávamos o supra-sumo da espiritualidade. Gostaria de deixar claro que me considero um evangelical-carismático e creio na inspiração plenária da Bíblia (a Bíblia não contém a Palavra de Deus; ela É A PALAVRA DE DEUS), no nascimento virginal de Cristo, na Sua Segunda vinda à Terra, em poder e glória, para buscar Sua Santa, Católica e Apostólica Igreja e, por último, na atualidade dos dons na Igreja do Senhor. Diante destes fatos tenho percebido que a exortação paulina – sobre não nos faltar nenhum dom – é revestida de uma pertinência abissal para a realidade de alguns setores da Igreja (alguns setores; nem todos) pois enquanto vemos profetisas, pitonisas, profetadas e apostolices levando a Igreja à infantilidade espiritual, por outro lado, percebemos o quanto falta para o rebanho de Deus uma maior intimidade com a Palavra que nos lava e nos exorta a termos humildade diante do Altíssimo.
Creio que o Senhor das nossas vidas pode falar conosco por intermédio de sonhos, visões ou do jeito que Ele quiser, e nenhuma teologia deveria “encaixotar” o mover de Deus em nosso meio. Mas, caberia a nós como filhos de Deus clamar em alta voz para que surja no meio do arraial dos salvos o dom do discernimento de espíritos. Isto me faz lembrar meu pai que quando perguntavam a ele se já tinha ouvido a voz de Deus (audivelmente) ele sempre respondia: “Sim, sempre ouço quando abro a Bíblia”. Martinho Lutero ao responder para Andreas Bodenstein Karlstadt (um entusiasta à sua época) que o acusava de suprimir o Espírito Santo rebateu o mesmo com as seguintes palavras: “Andreas, receio que tenhas engolido o Espírito Santo com pena e tudo o mais”.
Louvo a Deus por fazer parte de uma Diocese equilibrada, dirigida por um bispo diocesano que discerne os espíritos, um clero vigilante e um laicato temente à Palavra de Deus. Nós aqui, do Rio Grande do Sul, cada vez mais confirmamos, em ação e palavra, nossa unidade com nosso pai em Deus, e pedimos ao Senhor que o Seu Espírito esteja em nossos corações, porém, sem engolirmos as penas.
NELE, que nos batizou com Seu Santo Espírito nos dando uma nova vida.
SOLI DEO GLORIA!
¬ Rev. Luis Fernando Lopes da Silveira é Ministro Encarregado da Missão Anglicana de Cristo, em Cachoeirinha, RS, no Arcediagado Sul/Sudeste.
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