Peregrinação aos 50 Anos de Conversão
Pensamento do Clero
Crônica de uma Viagem

Peregrinação aos 50 Anos de Conversão
Rev. Maurício Amazonas, OSE (¬)
O dia 21 de abril, Dia de Santo Anselmo – Arcebispo de Cantuária (1109), marcou a Conversão de Dom Robinson Cavalcanti, então com 15 anos de idade, no Colégio XV de Novembro, na cidade de Garanhuns (PE), em 1960. Era Dia de Tiradentes e acontecia a Inauguração de Brasília (DF). Consciente do seu estado de pecador e da chamada à conversão pela graça de Cristo, assim ele estava desde que ouvira o marceneiro adventista, Josué Clementino, em União dos Palmares (AL), cidade onde viveu dos 3 anos até a 8ª Série. Em 21 de abril de 1960, porém, ele se ajoelhou no seu quarto, ao lado da sua cama e, numa oração de entrega, rendeu-se aos pés de Cristo Jesus, reconhecendo-o como seu Senhor e Salvador.
No início deste ano de 2010, quando voltávamos de nossas férias, em conversas com ele, descobri que haveria uma viagem programada por ele e D. Miriam para uma Oração de Ação de Graças no Colégio XV de Novembro, para marcar os seus 50 anos de conversão. Também fiquei sabendo que o Rev. Hermany iria na mesma viagem, servindo como motorista. Como atrevido que sou, perguntei se eu também poderia ir com eles, participando deste momento tão importante na vida do Bispo, que acabou por marcar a vida de uma geração de pensadores evangélicos no Brasil, na América Latina e no mundo. Ele me disse que me recebia com muito gosto na caravana de sua peregrinação ao marco inicial de sua conversão.
Quando soube que eu estaria na caravana da peregrinação do Bispo, Revda. Keyla Camargo lamentou que ela estivesse de plantão no dia 21 e não pudesse formar uma caravana de 5 pessoas para irmos juntos a Garanhuns. Mas durante o Cursilho Feminino do Arcediagado Norte, ela confabulou isso com Revda. Vera Nascimento, Revda. Márcia Coelho e Revda. Jeane Coelho e foi quando surgiu a ideia de formar uma caravana maior. Falou com Rev. Hermany Soares que aprovou a proposta. Em conversa com seus colegas médicos, Revda. Keyla conseguiu trocar o plantão. O problema é que faltavam apenas 10 dias para o evento. Começaram com um ônibus de 26 lugares que logo estava lotado. Passaram para um de 35, que completou rapidamente a lotação. O pessoal da BR 232 tardou um pouco na sua resposta e ficou sem vaga. Sugeriu-se um ônibus com capacidade para 50 passageiros, mas não mais era possível mudar o contrato. Decidiu-se que o pessoal da BR 232 iria de carro ou de van. E assim ficou sendo. Até esse momento, o Bispo nada sabia sobre a caravana paralela.
Chegou o tão esperado dia 21. Às 4h da madrugada, Magna Barbosa, Secretária Diocesana, chegou em Recife com a incumbência de ensaiar com a caravana do ônibus o hino “Mui triste eu andava sem gozo e sem paz, mas eu hoje tenho alegria eficaz...”, nos acordou, avisando que estava no Aeroporto dos Guararapes. Peço então que a Revda. Keyla vá buscá-la, juntamente com outras 5 mulheres, para que se encontrem na casa do Rev. Maurício Coelho. Ela também daria uma carona ao Rev. Hermany e Vitória. Assim, Revda. Keyla segue com Rev. Maurício e as mulheres no ônibus que vai pegar o pessoal de Olinda, na Paróquia Anglicana Emanuel. Eu sigo de carro com Rev. Hermany para buscar o Bispo e D. Miriam, que nos aguardavam nos Bultrins. Às 6h04 estávamos na casa do casal. O Bispo já está pronto, de paletó e colarinho clerical. D. Miriam era uma felicidade só. Entraram no carro e rumamos pela BR 232.
Em nosso carro, como já conheço o gosto musical do Bispo, levei alguns CDs que fomos ouvindo. Ele escolheu logo o que logo chamou de Trio de Ouro: Edgar Martins, Luiz de Carvalho e Feliciano Amaral. Aqui e acolá ele fazia alguma referência à história de algum dos hinos. Lembrou de alguns que inclusive se cantavam no Colégio XV de Novembro. Não faltaram informações sobre Edgar Martins, pastor Presbiteriano e Deputado Federal por São Paulo. Luiz de Carvalho, que construiu, juntamente com seu filho Elias de Carvalho, a Livraria Bom Pastor, em São Paulo, a Gravadora Bom Pastor e também compraram a Revista Kerygma. Feliciano Amaral foi pastor na Igreja Batista da Pavuna (RJ). Infelizmente, não teve muita sorte com seu sócio na Gravadora Favoritos Evangélicos, tendo que reiniciar tudo, depois de avançada idade. E tome conversa sobre os hinos, cantores, compositores e a hinódia brasileira...
Na Encruzilhada de São João, pertinho de Caruaru, paramos para tomar um delicioso café da manhã, bem regional. O Bispo, D. Miriam e Rev. Hermany deram uma nota 10, com louvor. Enquanto isso, Rev. Hermany e eu falávamos com Revda. Keyla e Magna para sabermos como estavam as coisas no ônibus. Isso nos ajudava a acelerar ou diminuir a velocidade do carro e o ritmo do café da manhã para, de algum modo, chegarmos juntos em Garanhuns.
Ao mesmo tempo, Dr. Mozart Santos Araújo, membro da nossa Paróquia Anglicana Jardim das Oliveiras, morando atualmente em Garanhuns, já estava, há duas semanas, em contato com o Rev. Eudes Ferreira, atual Diretor do Colégio XV de Novembro, para possibilitar que o Bispo tivesse acesso ao quarto masculino número 3. Foi preciso providenciar uma série de coisas, já que o alojamento masculino, mesmo em excelente estado de conservação, está desativado.
Depois de Caruaru, chegamos a São Caetano. Deixamos a BR 232 e entramos à esquerda. Passamos pelas cidades de Lajedo, Cachoeirinha, Jupi, Jucati e avistamos Garanhuns – “uma cidade edificada sobre um monte”, mostrou-nos o Bispo. Como fazia mais de 10 anos que o Bispo não voltava à cidade, pegamos uma via que nos levaria para um lugar chamado São João. O nosso muito solícito irmão Mozart, mandou que o esperássemos, pois ele iria nos escoltar com sua viatura. Foi assim que chegamos ao nosso alvo desejado, o Colégio XV de Novembro.
No local, já nos aguardavam o Rev. Cilas Menezes, Vice-presidente do Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil; o Rev. Eudes Ferreira, Diretor do Colégio XV de Novembro; Eliezer Menezes, Presidente da Associação dos ex-alunos do Colégio XV de Novembro; também o antigo Censor, Sr. Nivaldo Filipe; além do cantor José Milton e Eliezer Germíneo, colegas contemporâneos de Robinson, modo como todos o chamam até hoje. Haja contar estórias e presepadas dos tempos em que todos eram rapazinhos, nos idos de 1960. O Bispo nos mostrou o lugar aonde um amigo chegou de carro boi, trazido pelo pai, carregando uma mala surrada. Tratava-se do Rev. Mozart Noronha, hoje pastor da Igreja Luterana, no Rio de Janeiro, que eu conheci em outubro de 2009, quando estivemos em Copacabana, com o Rev. Beto.
O Bispo nos apresentou a Quadra de Esportes, o Auditório que era usado como Capela, e seguimos para o alojamento masculino. Antes de subirmos, tivemos uma parada regulamentar para observações e comentários necessários. Uma pausa e pose para algumas fotos. Alguns comentários sobre a forma física de alguns amigos. Uns ainda são bastante atléticos, mas outros... nem tanto. Vimos que embaixo ficavam as salas de aula. Subimos para os aposentos masculinos. Chegamos ao quarto número 3. Foi ali que se dera a conversão de Robinson Cavalcanti, há exatos 50 anos. Momentos de alegria para todos nós. O Bispo explica aos seus contemporâneos que vamos fazer uma Oração Matutina. Ele então me designa para dirigir o Ofício. Tenho em minhas mãos o Livro de Oração Comum Brasileiro, livro que fora publicado no seu episcopado, como prova de seu amor pelo Anglicanismo litúrgico, católico, reformado, bíblico e ortodoxo. Começamos com as sentenças introdutórias. Estou ladeado por Mozart e Rev. Hermany. Peço ao Rev. Hermany para fazer a leitura do Salmo 90.1-12.
Quando estou alinhavando alguns comentários sobre o texto, ouvem-se vozes, ao longe, cantarolando o hino 401 do Cantor Cristão. As vozes se aproximam. Pessoas adentram ao quarto onde estamos. Também trazem um violão. Caravanas de todos os Arcediagados do Nordeste. Cinquenta e cinco pessoas se reúnem a nós e aos contemporâneos do Bispo. Já somos quase 70, dentro de um quarto que acomodava apenas 13 alunos... Todos cantam: “Mui triste eu andava sem gozo e sem paz, mas eu hoje tenho alegria eficaz...”. Agora o Bispo cantava com o seu rebanho: “Eu sou de Jesus, Aleluia!...”. Depois vimos uma cena que não conhecíamos: nosso Bispo, habituado a duros embates na caminhada, chorou de muita emoção e alegria.
Terminado o cântico, Rev. Luiz Souza de França, o contemporâneo Souzinha do XV de Novembro, ladeado por seu irmão e coetâneo Uziel Souza de França, inicia a saudação em nome da caravana. Depois dele, todos os outros Arcediagos usaram da palavra: Rev. Maurício Coelho, Rev. Evilásio e Rev. Peixoto. Agora era a vez das mulheres: Revda. Keyla Camargo e Revda. Veralúcia Lins Silva (também contemporânea). Ainda falou o Rev. Daniel Barbosa, OSE e o Rev. Ivaldo Sales, OSE. Depois dos clérigos de nossa Diocese, ouvimos o Presidente da Associação de ex-alunos: Eliezer Menezes, o antigo censor de alunos, hoje aposentado como professor de Filosofia: Nivaldo Filipe, e o Diretor atual do colégio, Rev. Eudes Ferreira.
Ao final, o Bispo recebeu um presente da caravana: A Bíblia do Peregrino. Nome sugestivo para presentear o homem que tem viajado por todo o Brasil, América Latina, e por todos os Continentes, pregando e palestrando sobre a relevância do Evangelho de Cristo para a salvação eterna em todos os lugares e em nossos dias. Também aproveitamos para anunciar ao Bispo que vamos trabalhar na confecção de um Hinário Anglicano. Para isso, passamos, simbolicamente, às suas mãos, vários hinários da tradição evangélica do Brasil. Deles vamos compilar os hinos de nosso Hinário, contemplando as vertentes evangélica, carismática e da libertação. O Ofício Matutino foi encerrado com uma oração pelo Diretor do Colégio.
Fomos ao Parque Pau-Pombo. Dali fomos ao antigo Restaurante Comes e Bebes, o qual nos tinha sido reservado pelo Dr. Mozart Santos Araújo, e fizemos nossas fartas refeições de almoço: comida e atendimento superior à nota 10. Eram 14h. Pegamos a estrada de volta ao Recife. Agora é a vez de ouvirmos os cantores evangélicos mais modernos: Ozeias de Paula, Jayrinho (do Grupo Elo), Sérgio Pimenta, Jessé, Vencedores por Cristo, Embaixadores de Sião, Luiz de Carvalho & Denise Cardoso. Houve uma parada para uma cartola, um queijo com mel e um cafezinho, em Gravatá. Chegamos ao Recife e fomos até Olinda para deixar o Bispo e D. Miriam em casa. Eram 17h50.
Chegamos em paz. O Bispo recebeu uma linda declaração de amor, de unidade e de lealdade de sua Diocese. Ele ainda está como os que sonham. Sua felicidade era notória. Há muitos planos para o futuro!
Quem perdeu de ir nesta caravana, é bom ir se preparando para outros eventos. Eu mesmo já estou pensando na composição da caravana das comemorações dos próximos 50 anos... Vida longa ao nosso Bispo!
Recife (PE), 22 de abril de 2010
Anno Domini
¬ Rev. Maurício Amazonas, ose é Presbítero na Diocese do Recife; Vigário-Geral Diocesano, Pároco da Paróquia Anglicana Jardim das Oliveiras, no Arcediagado Sul, em Recife-PE.
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Última atualização (Sex, 07 de Maio de 2010 17:34)
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