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 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

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BISPO PRIMAZ

 

 

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Home Artigos Reflexão UM HOMEM USADO POR DEUS

UM HOMEM USADO POR DEUS

Um Homem Usado por Deus

Reflexão Pastoral

Rev. Luís Fernando Lopes da Silveira (¬) 

Penso que ao aproximar-se de mais um 31 de outubro seria pertinente falar algo sobre o grande reformador Martinho Lutero. Alguns o tratam como o único, todavia, esta maneira de ler a história da Reforma revela um certo estrabismo da interpretação dos fatos e um certo comprometimento confessional. A Reforma também esteve no coração de

homens que antecederam Lutero e, também, homens que o precederam. Não podemos nos esquecer de Agostinho, Savonarola, Francisco de Assis, Wycliffe ou Huss. O que seria nossos XXXIX Artigos de Fé sem a presença da reflexão teológica do gigante de Genebra Calvino e o que seria da Igreja se não fosse os reformadores que convivem nos dias atuais? Lutero nunca foi contra a Igreja Católica e nunca teve a intenção de criar outra igreja. Queria reformar a única Igreja santa, católica e apostólica e não destruí-la!!!

Em 31 de outubro de 1517, afixou suas 95 teses, na porta da capela de Wittenberg, que possuía uma essência questionadora de todo o ensinamento romano que não houvesse sustentação Escriturística. Com isto “nascia” a Reforma da Igreja no ocidente tornando-a mais visível.A jornada à capela foi marcada por uma série de lutas espirituais (e quem não as tem?) dentro daquele homem, pois, queria agradar a Deus a todo custo, porém não se achava digno. Entendia, à época, que seus atos de extremada penitência (muitas vezes praticando autoflagelo) o trariam à plena paz de espírito o reconciliando com Deus.

 

Em 1507, foi Ordenado sacerdote da igreja romana. Nove anos depois, tornou-se doutor em Bíblia e professor em Wittenberg. Tomou, então, o solene voto: “Juro defender a verdade do Evangelho com todas as minhas forças”. E guardou este voto até o fim da vida.

Foi através da Bíblia que Lutero buscou e recebeu luz e percepção, embora a luz somente viesse gradualmente, ao longo dos anos, em uma série de descobertas.

Convidado a ensinar teologia, Lutero começou um estudo exegético de alguns livros do Antigo Testamento e, depois, do Novo Testamento. Sua maior preocupação era encontrar a vontade de Deus e nutrir seu rebanho.Um de seus principais obstáculos foi a dificuldade de compreender o significado da expressão bíblica “justiça de Deus”. Sua Bíblia em latim continha as palavras “justitia Dei”. O termo “justitia” era comumente usado para justiça retribuitiva ou punição, tal como os eruditos ensinavam. Em outras palavras, compreendendo desta maneira, ele terminou vendo a Deus como um juiz severo. Devido a este conceito de justiça de Deus, Lutero não podia entender como Davi poderia ter orado: “...livra-me por Tua justiça” Sl 31:1. 

 

A palavra “justiça” ecoava no coração do reformador apenas como ira de Deus e punição eterna. Assim ele lutava com a ira divina e ela queimava como fogo em sua consciência!

 

Finalmente ele voltou seu estudo para o Novo Testamento em busca de conforto e foi capturado pela mensagem de Paulo: “Pois não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê...” Rm 1:16. Salvação!  Seria isto a essência, o segredo pelo qual ele tinha procurado durante tanto tempo? Continuou lendo: “Visto que a justiça de Deus se revela no evangelho...” Rm 1:17.Lutero não podia compreender. Será que o apóstolo estava dizendo que o evangelho é a revelação da justiça de Deus? Como poderia Paulo chamar o evangelho de “justiça”? Era esta uma outra manifestação da lei? Em caso afirmativo, então o evangelho também condenava o pecador!!A Bíblia permanecia aberta enquanto ele preparava suas prédicas. Todavia, a grande questão em sua mente era: “Como Paulo poderia chamar o evangelho de justiça de Deus?”.

 

Lutero releu o texto em seu contexto. E encontrou: “Mas agora, sem lei, se manifestou a justiça de Deus testemunhada pela lei e pelos profetas” Rm 3:21. Sua visão clareou. Pela graça de Deus ele compreendeu o que Paulo queria dizer: a justiça não era algo que Deus requeria dos homens como oferta a Ele; mas algo, ou melhor, ALGUÉM, que Deus ofertava aos seres humanos que criam no evangelho. Este alguém era, é, e sempre será o sacrifício expiatório de Jesus Cristo! Deus oferece a justiça pessoal de Cristo, como Seu precioso dom aos Seus filhos! Essa é a salvação do evangelho!

 

A salvação não está em um Cristo em nós!!! Mas está em Cristo POR NÓS!!! Isso significa que o evangelho não requer de nós obras ou perfeição absoluta, mas oferece-nos o gracioso dom das obras e perfeita justiça  do Senhor Jesus Cristo! Assim somos justificados por Deus mediante uma justiça externa e forense que nos é imputada. A nossa justificação ocorreu há pouco mais de dois mil anos quando penduraram no madeiro o Filho de Deus. Nada que haja em mim ou em você pode justificar-nos diante de Deus.

 

Não existe processo interior que consiga mudar a essência humana (que é pecadora) ou que vá religar o homem a Deus. Se caso isto fosse possível, estaríamos decaindo da graça e reconhecendo que o sacrifício na cruz não foi suficiente. Todavia, sabemos que a cruz foi total e cabal para nos resgatar da maldição da lei. A morte de Cristo foi substitutiva, ou seja, o que era reservado para o ser humano caiu sobre Cristo e agora Ele nos dá vida plena e comunhão com o Pai. E aí, então, esta salvação que nos é dada de graça (a redundância é proposital), não nos moldes da graça infusa conforme o Concílio de Trento, nos constrange a vivermos em novidade de vida havendo uma transformação interior que se manifesta na obediência à Palavra de Deus que é eterna.

 

Diante desta experiência do reformador de Wittenberg fico a pensar que, na atualidade, precisamos vencer a tentação de achar que podemos dar uma “mãozinha” para Deus no ato da salvação caindo em sinergismo. Que Deus ilumine em nossas mentes a Mensagem da Cruz sabendo que somente Deus é o Autor e Consumador da nossa fé. “Soli Deo Gloria”.

 

Rev. Luís Fernando Lopes da Silveira (¬)   é bacharel em Teologia pela Escola Superior de Teologia;Ministro Encarregado da Missão Anglicana de Cristo, em Cachoeirinha-RS, no Arcediagado Sul-Sudeste do Brasil, da Diocese do Recife – Comunhão Anglicana.
  
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Última atualização (Seg, 02 de Novembro de 2009 08:35)

 


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