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Comunhão Anglicana

   

 ROWAN WILLIAMS, ARCEBISPO DE CANTUÁRIA, COM O BISPO ROBINSON CAVALCANTI 

 

ROWAN WILLIAMS

ARCEBISPO DE CANTUÁRIA

 

 

HECTOR ‘TITO’ ZAVALA

BISPO PRIMAZ

 

 

DOM EDWARD ROBINSON DE BARROS CAVALCANTI

BISPO DIOCESANO

"In Memoriam"

 

 

DOM EVILÁSIO TENÓRIO

BISPO SUFRAGÂNEO

2ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

 

DOM  FLÁVIO ADAIR

BISPO SUFRAGÂNEO

1ª REGIÃO ECLESIÁSTICA

 

SOMOS PARTE DA COMUNHÃO ANGLICANA

 

 

SOMOS PARTE DO GAFCON

 

 

SOMOS FILIADOS À FELLOWSHIP OF CONFESSING ANGLICANS (FCA)

 

 

SOMOS CONVENIADOS À IGREJA ANGLICANA DA AMÉRICA DO NORTE (ACNA)

 

SOMOS MEMBROS-FUNDADORES DA ALIANÇA EVANGÉLICA

 

 

SOMOS MEMBROS DA ASSOCIAÇÃO PRÓ-CAPELANIA MILITAR EVANGÉLICA DO BRASIL (ACMEB)

 

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Home Artigos Reflexão Memórias de Uma Viagem Missionária (III)

Memórias de Uma Viagem Missionária (III)

Reflexão Episcopal

 

 

 

Memórias de Uma Viagem Missionária (III)

Religiosidade e Autoridade na África – Experiências

 

“Boa Noite, My Lord”, foram as palavras de saudação de um dos coordenadores de segurança do Aeroporto de Juba, Capital Federal da Nigéria, quando eu chegava com a minha bagagem para embarcar para Frankfurt. Depois do “check-in”, chego ao controle do passaporte, onde estavam dois sorridentes funcionários, e a jovem pergunta a minha igreja, se apresenta como católica romana, eu falo que estive com o Arcebispo dela naquela semana, e ela pede – ali mesmo – para que eu fizesse uma oração por eles. Isso me trouxe à memória outras experiências semelhantes de outros aeroportos africanos, como o responsável pelo passaporte no Aeroporto de Entebbe, em Uganda, que me disse: “Olá, Bispo, lhe vi ontem no culto de Sagração em minha Diocese”, ou a irmã evangélica que sai da sua rotina para me levar até a área de trânsito do aeroporto de Johannesburg, onde tive aquele susto com os dois imensos soldados em uniforme de combate, portando metralhadoras, que se dirigem em minha direção... para pedir a minha bênção!

 

A saudação a um Bispo como “My Lord”, “Lord Bishop”, “Your Grace” ou “Sir”, não é algo pitoresco daquele funcionário de aeroporto, mas a maneira usual de tratamento, em uma cultura que valoriza a autoridade e honra os que ocupam funções de mando, as mais diversas. Daí que nos cartões de apresentação, nos papéis timbrados, ou no tratamento social, se faz referência aos títulos acadêmicos, religiosos ou sócio-culturais do seu detentor, como uma praxe de civilidade, e um reconhecimento de valor.

 

Apesar de a maioria dos paises africanos adotarem a forma de governo republicano (presidencialista ou parlamentarista), muitas das suas Constituições garantem o título de “reis”, “príncipes” ou “chefes” para os que comandam etnias, tribos ou clãs, com autoridade moral na esfera civil. Em Uganda, por exemplo, os Baganda, a maior etnia, têm o seu rei, com palácio, equipe de trabalho e um elaborado protocolo, inclusive de coroação. Os mais velhos são honrados, assim como profissionais, como professores, médicos, clérigos, etc.

 

A base da sociedade – particularmente rural – está no principio do “kinship”, ou liderança do primogênito, seja o rei, o chefe (“régulos”, como denominavam os colonizadores portugueses), ou cabeça de uma família ampla ou nuclear. A sucessão, em todos esses níveis, é automaticamente pela primogenitura. Agora, se o primogênito se houver de forma inadequada, ele é deposto pelos anciãos e enviado para o exílio!

 

Tive como companheiro de viagem (no trecho Frankfurt-Abuja), um simpático nigeriano, que trabalha como educador de alunos excepcionais na Califórnia. Um dos quarenta irmãos de uma família poligâmica (“meu pai teve como minha mãe “apenas” dez”...) me falava do sentido de hierarquia e de solidariedade entre os irmãos, sob a liderança dos primogênitos, e que os seus estudos no exterior foram resultado dessa teia ampla de solidariedade familiar, que desapareceu no Ocidente, e está desaparecendo em regiões periféricas como a América Latina.

 

A autoridade africana – inclusive religiosa – é sempre afirmada por meio de símbolos, inclusive os trajes próprios de cada nível.

 

Um Bispo da CANA me havia dito no Sínodo da ACNA: os 20 milhões de membros da Igreja da Nigéria funcionam como um grande exército, com uma cadeia de comando, onde a regra é a obediência. Pressionado pelos muçulmanos e desafiados pelo Secularismo Ocidental, essa é uma pré-condição para a sobrevivência, e para se pensar em expansão missionária. A Identidade Cristã, a Identidade Anglicana, e a Identidade Africana (evitando-se “pacotes” Ocidentais, liberais ou conservadores), se faz na afirmação do autoctonismo.

 

A África, com todas as suas limitações, fruto do trágico legado do colonialismo e do neo-colonialismo é, realmente, um outro mundo, e um mundo com um futuro no mundo, diante da decadência social e moral do Ocidente.

 

Quanto ao Brasil, o desrespeito a autoridade é de cima abaixo, em todos os níveis e esferas da sociedade: avós e pais, professores, são desmoralizados (quando não agredidos, e até mortos), a insubmissão, a democratice, a avacalhação, é geral, no culto ao informalismo pretensamente igualitarista, desde o Deus “meu chapa”, aos “velhos” pais ou ao “você” e “tu” distribuídos a torto e a direito, levando no roldão à honra e à ordem.

 

Boto pouquíssima fé nessa cultura (inclusive eclesiástica) de esculhambação geral, que se continuar assim, não vai levar o nosso BRIC a nenhum futuro glorioso de potência mundial, ficando, no máximo, no estágio anterior, o de pré-potência...

 

Um dos raros resquícios de hierarquia fica por conta dos reisados, dos maracatus, ou do lugar da comissão de frente, do mestre-sala e da porta-estandarte na Marquês de Sapucaí.

 

Olinda (PE), 17 de julho de 2011,

Anno Domini.

 

+Dom Robinson Cavalcanti, ose

Bispo Diocesano

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Última atualização (Dom, 17 de Julho de 2011 09:53)

 


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